segunda-feira, 18 de março de 2013

Reminiscências de um passado a dois

Sinto saudades do teu cheiro. Do teu toque nas minhas mãos, na minha cara, na minha pele.
 
Sinto falta do teu sorriso de miúdo crescido. Da tua voz quando me contas as preocupações do dia de trabalho, as travessuras dos teus filhos e o que me queres fazer quando mais tarde nos encontrarmos (para logo a seguir nos perdermos pelos lençóis).
 
Sinto falta do teu prazer em mim e do meu prazer em ti.
 

sábado, 9 de março de 2013

Inacabados

A primeira vez que nos tocámos, num aperto de mão característico de um cumprimento formalmente contido, um choque eléctrico percorreu cada centímetro do nosso corpo. "Electricidade estática", disse em tom de desculpa quando vi o teu olhar de surpresa. "Só pode", retribuiste com um sorriso mais tranquilo que quebrou, parcialmente, o constrangimento.
 
No entanto, o aguçar dos sentidos revelou-nos que a estática não passou por nós. Já que o desconforto trazido foi causado pelo despertar involuntário do desejo, não pela dormência expectável do choque.

terça-feira, 5 de março de 2013

Estou Óptima, Temos Pena

O chato de ir de férias é, no final, ter de voltar à rotina do trabalho. Mas como há coisas piores na vida, já me reabituei a esta dura realidade.
 
Isso tudo para dizer que há meia dúzia de dias regressei ao trabalho, depois de um curto período de férias e para confessar que a vontade de voltar era pouca e quando lá cheguei passou a quase nenhuma.
 
Primeiro, porque os dias de afastamento "souberam a pato".
 
Segundo, porque logo ao chegar à xafarica tive a infelicidade de me cruzar com a coleguinha do costume que, para não variar, recebeu-me com a velha boca do "estás mais magra, não está?".
 
Como seis dias longe dos meus coleguinhas e dos nossos nobres "agricultores" são q.b. para repor os níveis de paciência e para manter a boa disposição por muito mais tempo, acabei por estar inspirada o suficiente para arranjar uma resposta à altura da sua preocupação e que a deixou educadamente amuada. Explorar as fraquezas dos outros não é lá grande política, mas para quem não sabe qual é o seu lugar nem tem poder de encaixe, traz resultados maravilhosos*.
 
Agora voltemos ao que interessa, as férias. Principalmente, porque fui brindada com dias de Inverno cheios de sol e temperaturas a chegar bem perto dos 20 graus. Que foi sem dúvida um convite irrecusável para passeios descontraídos pelas ruas de Lisboa.
 
O entusiasmo desta dádiva foi tanto que me vi a sair da cama quase sempre antes das 9h e a pôr os pés na rua a tempo de dizer bom dia aos vizinhos carrancudos com que me cruzei. Algo pouco usual para mim, já que o meu horário de trabalho não me obriga a acordar nem a sair de casa antes do meio dia, muito pelo contrário.
 
Nestas férias só houve espaço com hora marcada para uma ida ao médico e para os preparativos e participação no já célebre jantar de "São Valentão" entre amigos. De resto, foram seis dias calmos a calcorrear Lisboa sem quê nem porquê, quase nunca com destino traçado e quase sempre sem hora de partida e de chegada para aproveitar ao máximo o sol revitalizante que dá vida à cidade. O que me soube bem e me fez ainda melhor.
 
 
*Principalmente quando são pessoas que não se dão bem com o facto dos outros estarem e sentirem-se bem com eles próprios e com a vida.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Conversas Perdidas (Colectânea 2012)

1. Do Precisar
Precisar nem sempre é sinónimo de querer. Eu estou a precisar de ir fazer análises, mas se me perguntares se quero, honestamente, tenho que te responder que não, não quero.
Por isso, dizeres que precisas de falar comigo e nada fazeres para o proporcionar, leva-me a concluir que não queres.
 
2. Das Relações a Dois (que não resultam)
O que correu mal entre nós dois? A forma como encaramos o que combinamos fazer. Eu como compromissos, tu como promessas.
Como os compromissos assumem-se e as promessas esquecem-se, eu dei o meu melhor para não falhar nos meus e tu deste o teu melhor para justificar as falhas constantes nos teus.
Por isso, ao fim de alguns meses a ver a corda ceder sempre para o mesmo lado, acabei por soltá-la para ver se o nada que largava e o nada com que ficavas nos faziam falta.
 
3. Das Faltas de Respeito (provenientes de quem acha que o centro do mundo é o próprio umbigo)
Estou cada vez mais certa que ninguém o faz sem querer. E grande parte do que lhes é apontado como "defeito" é visto por eles como algo muito especial e que os torna únicos, por isso continuam a agir assim.
Os que têm alguma coisa útil na cabeça só começam a aperceber-se que talvez devem rever comportamentos se começares a estar com eles da mesma forma como eles estão contigo.
 
4. Da Saturação (devido aos excessos de convivência e de ausência)
Este ano, deixei de procurar muitas pessoas com quem tinha o costume de estar, mesmo que de forma intermitente, porque dei-me conta que o balanço dos últimos anos, no respeitante a iniciativas de encontros concretizadas, pendia fortemente para o meu lado.
Foi interessante perceber que mais de 50% dos visados nunca mais deu sinal de vida, que consigo contar pelos dedos de apenas uma mão os que conseguiram arranjar tempo para estar comigo, mas que já não tenho esta mesma facilidade para contar aqueles que ficaram pelas boas intenções e amuados porque receberam respostas à altura dos seus comentários egoístas, típicos de quem está sempre à espera que sejam os outros a fazer tudo: "anda desaparecida a menina", "vê lá se liga para combinar qualquer coisa?", "esqueceu-se dos amigos?"

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Rescaldo de 2012

Agora que passou mais de um mês desde que 2012 chegou ao fim, acho que é um bom momento para fazer um balanço sobre o ano.

2012 foi um ano de muitos altos e baixos.
 
Há degraus que não devemos deixar de galgar
 
A título pessoal a saúde vacilou e fez com que psicologicamente também me fosse abaixo. O coração entrou no batimento acelerado da paixão, mas voltou à sua batida regular.

No trabalho foi um ano de estabilização, o que não significa de realização, mas fui buscando e encontrando motivação para continuar na lufa-lufa diária.

A família, por intermédio da senhora minha mãe, foi pregando valentes sustos, que me vão forçando a render à evidência que vai ser cada vez mais assim.

As amizades foram uma caixinha de surpresas ou, se calhar, deu-se a revelação há muito camuflada pela minha constante mania (iniciativa) de as alimentar e que este ano esmoreceu.

No fim de contas, apesar de me ter parecido que envelheci uns 10 anos neste último ano, por tantas preocupações, mau estar físico e cansaço, não posso deixar de ficar contente por ter passado por 2012. Afinal de contas, ainda estou viva e recomendo-me.

Sim, andei meio perdida, mas consegui voltar a encontrar-me.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Promessas, Promessas

Não sou de promessas, sou de compromissos. Já que as promessas esquecem-se e os compromissos assumem-se.

Se já sou assim para comigo, com quem até podia ser mais condescendente (porque só a mim devo satisfações sobre o que assumo ou não fazer) para com os outros faço questão de não falhar (quer por brio, quer, acima de tudo, por respeito e consideração pela pessoa e pelo seu tempo, que assumo tão ou mais precioso do que o meu).

Por isso, não aprecio e fico piursa com quem se presta a mascarar de compromissos algo que garantidamente não é mais do que uma promessa para esquecer, apenas e só porque lhe convém ficar bem na fotografia e descansado da vida.

Prefiro mil vezes mais aqueles que assumem de antemão um não, do que quem teima em se enredar no labirinto das promessas. Do "claro que sim, em princípio, talvez dê", "sim, sim, só que ainda temos tempo para decidir isso", "pode ser, mas amanhã, ok!". E porquê? Porque raramente o amanhã vem e nunca nada acontece, a não ser total descaso e desrespeito pelo outro e incompreensão pela insatisfação manifestada por quem se vê sempre relegado para segundo plano ou esquecido.

Como os meus fazer, dizer e ir são compromissos tomados para comigo ou para com terceiros, tenho vindo a afastar-me de quem usa os seus como promessas apenas para retardar reacções que os possam deixar em situações incómodas.

Assim, cada vez mais vou dedicando o meu tempo e atenção a quem tem igual consideração para comigo, não me tomando como um dado adquirido, sempre à ordens das suas vontade e conveniência.

Recomeços

 
Ainda nem faz uma semana, estava a escrever sobre a agitação que há vários meses me atormentava, consumindo a minha energia e apagando a minha concentração e o meu interesse para tudo e para todos à minha volta.
 
Sabia perfeitamente o que me deixava assim e o que fazer para a resolver. Mas, por casmurrice, acabei por interiorizar que a resolução estava fora do meu alcance e passei para as mãos de terceiros esta responsabilidade. Até porque estavam igualmente envolvidos na situação. O problema é que para eles a resolução entrou num constante adiar.
 
Até que, cansada de ter a minha vida parada por estar presa entre as mãos de quem seguia a dele livre, fresco e fofo, deixei de ser obtusa (que é o mesmo que admitir que pus a casmurrice, o orgulho e o receio de lado) e resolvi voltar ao comando.
 
O que fiz? Simples. Agi. E aquilo que durante meses achei estar fora do meu alcance, foi conseguido em pouco mais de 5 minutos.
 
Três dedos de conversa foram suficientes para esclarecer alguns equívocos, confirmar algumas descobertas, pôr um ponto final a esta angústia prolongada e, o mais importante de tudo, ter novamente nas minhas mãos o rumo da minha vida.
 
Agora, novamente livre, posso voltar a sorrir com gosto e usufruir da tranquilidade de espírito há muito desejada.
 
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Olá Outono!*

Final de tarde do 1º dia de Outono
Ao chegar ao fim do Verão, poderia dizer que vai deixar saudades, porque foi divertido e ao mesmo tempo produtivo.
 
De facto, vindo-me à memória o Verão do ano anterior, este nem chegou a aquecer.
 
Pouco dado ao convívio, sem dias de praia intermináveis nem finais de tarde em esplanadas a libertar o corpo do calor pegajoso, este Verão praticamente resumiu-se a ver o diminuir diário das horas em que o sol, preguiçosamente, voltava a encontrar-se com o horizonte, dando lugar à noite, e a recuperar das maleitas que resolveram tomar conta do meu corpo.
 
Fosse eu de baixar os braços, este Verão dos meus 35 anos, sairia catalogado como o do início da minha decadência, como muito boa gente (meio a sério, meio a brincar) me foi dizendo.
 
Felizmente, a seguir ao Verão vem sempre o Outono. Assim, permito-me recebê-lo de cabeça erguida e de braços abertos. Pode ser que o vento que trouxe no dia da sua chegada seja de boas mudanças.
 


*Pensamento de  22 de Setembro, enquanto apreciava um cigarro e a vista
que me emoldura as pausas dos fins-de-semana de trabalho.
 
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ouvi Por Aí



Na paragem de autocarro, conversa entusiástica entre três homens 'machos', na casa dos 20.
 
'Macho' 1 - Uma coisa é ele contar que é gay. Agora isso?!?
 
'Macho' 2 - Ya. Outra completamente diferente é contar detalhes da sua vida sexual.
 
'Macho' 3 - Isso é privado, meus. Não se partilha.
 
'Macho' 1 - Pois não, pois não.
 
'Macho' 3 - Agora esquece lá isso e conta. Como é que foi a noite? Conseguiste comer a X?
 
 
E assim se descobre a linha que separa o domínio privado numa conversa entre os 'machos' e entre os 'outros'.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Do Teu Beijo*


 O teu beijo tem gosto a quero mais. É guloso. Num misto entre quente-e-frio e agridoce, ateia os meus sentidos, apimentando sensações, e arrefece a minha razão, adocicando emoções.

 O teu beijo é o alimento para o meu desejo. Sacia-o, independentemente das instruções da sua embalagem indicarem que deve ser consumido na regrada delicadeza emocional do equilíbrio da ternura dos afectos ou na transgressora voracidade sensorial dos excessos da luxúria das vontades.

 O teu beijo é um vício. O meu vício. Permito-me permanecer agarrada a ele, e por conseguinte a ti, porque sei que tu também te dás a este luxo.

O teu beijo é o melhor calmante e o melhor estimulante que a rotina de cada dia me traz. Confirma a minha máxima de que a partilha desinteressada torna um gesto simples em algo bom, muito bom, óptimo, excelente.



Eu disse que voltava.
*Mais uma continuação, perdida, deste e deste

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Olh'á Magra!

Será considerado violência gratuita eu passar para a ignorância e partir a boca toda a colega que não se cansa de dar opiniões (não solicitadas) sobre o que devo ou não devo fazer para engordar? Principalmente, quando as opiniões são dadas sem conhecimento de causa e ad nauseam?

Há um mês que estou em luta com a balança para conseguir ganhar, no mínimo, 3 dos 6 quilos que perdi, em menos de duas semanas, devido a efeitos secundários indesejados de um antibiótico que, entre outras coisas, me alterou o paladar, tirou o apetite e, claro está, me deixou cadavérica.

E também, há um mês que ouço, diariamente, a mesma ladainha: "Fogo! Estás tão magra que faz aflição." "Pode ser que despida até corpo esteja bonito, mas... estás tão magra." "Que é feito do rabo e daquelas pernas que enchiam as medidas e davam gosto ver? Estás tão magra." "Estás tão magra! Ela está tão magra, não está?".

Cansaço! É o que me apraz dizer para não ser mais ofensiva. Mesmo que a pessoa em causa não mereça tamanha consideração. Enfim!

Sim, eu tenho espelhos em casa que me mostram que estou praticamente pele e osso e, por estranho que pareça, também tenho balança que me indica que eu estou demasiado perto dos 50 quilos, quando o que devia era estar o mais encostada possível aos 60.

Para além disso, sinto no meu corpo as mazelas da minha magreza. Já que uma simples costura ou prega de tecido me faz nódoas negras ou arranhões lindos como o sol (só é pena não o poder olhar de frente), um botão ou uma qualquer aplicação que a roupa possa ter tem o condão de vincar-se, dolorosamente, entre as minhas costelas, o cabelo cai-me como se não houvesse amanhã de tão fraco que está (por opção, até já reduzi o seu comprimento para metade) e a pele está mais do que sensível a qualquer contacto mais áspero.

A esta lista de maleitas poderia acrescentar muitas mais, nomeadamente a original, mas não me apetece. Primeiro, porque não devo satisfações sobre a minha aparência e saúde a ninguém. Segundo, porque não tem nada a ver comigo andar aos caídos a lamentar-me. Terceiro, porque estar a acrescentar pontos a esta lista não melhora nem resolve nada, assim como não me traz os quilos de que preciso.

Dito isto, vou aproveitar o meu tempo e as minhas energias a fazer algo bem mais interessante. A ver de consigo ganhar um mísero meio quilo para juntar ao outro meio que consegui ganhar em Agosto.


 Pode ser que me abra o apetite e acabe por passar por cá amanhã para escrever algo com menos fel.

Ah! Já agora, julgo não ser pedir muito deixarem de me cumprimentar com um "Bolas!!! Estás tão magra!". Um "Olá, tudo bem?" é uma alternativa bem mais simpática, interessante e educada.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Julho

Estamos na época do ano que eu tanto gosto. A pré silly season. A qual, com os seus dias longos, convida a descontraídos sunsets que podem começar, e até mesmo terminar, muito antes, durante ou mesmo depois do sol se pôr. Assim como, traduzir-se:


- numa ida à praia, para tórridos banhos de sol entre a sombra do el sombrero e a refrescante beira mar;

- numa escapadela prolongada a uma esplanada em frente ao rio ou sobre uma das colinas da cidade, para apreciar as vistas;

- num passeio sem hora marcada por um caminho que pode não estar definido, para gastar energias;

- num preguiçoso deixar-me estar em casa, envolta na calorosa claridade que a invade, a fazer rigorosamente nada, para reequilibrar o espírito;

- num singelo piquenicar de final de tarde ou num robusto petiscar all night long, saboreando uns tradicionais tremoços, enchidos e pica-pau, uns afamados caracóis e caracoletas ou uns excêntricos camarões ao alho e ameijoas à bulhão pato, para alimentar o físico.


Sendo que, por estes dias, nunca pode faltar a boa companhia. Daqueles grandes amigos que nunca esqueço, daquela música que me faz vibrar, daquele livro que não consigo largar ou daquele silêncio introspectivo com o qual gosto de estar quando o encontro é apenas comigo. Tal como aconteceu há dias quando este texto foi escrito.

Bem vindo mês de Julho!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Da Ausencia

Tenho saudades deste espaço e de todos aqueles que tenho o costume de passar e que nos últimos 2 meses deixei completamente ao abandono.

A vontade de escrever existe e vou-o fazendo. Tornar público o que daí resulta é que nem por isso. Excesso de trabalho e poucas horas de sono que levam a um acumular de cansaço físico e mental.

Pode ser que após regressar de um pequeno período de férias - que vai englobar esquecer por completo as complicações do trabalho, fazer absolutamente nada, muita praia, pura descontracção e diversão entre amigos (os quais também têm sido deixados ao abandono) - a minha cabeça volte a estar fresca e fofa e retome este velho hábito de escrever algumas linhas, com pouco ou nenhum interesse, mas que me dão um gozo imenso por me permitirem dar uso à imaginação e sair fora dos assuntos mundanos que são os temas diários de conversa sobre trabalho.


De momento, já penso que o Verão me aguarda ou eu é que vou ansiando por ele. Adoro a tranquilidade que acompanha os dias interminavelmente longos que o antecedem e finais de tarde assim.


A ver vamos que frutos dará este segundo semestre de 2012 no que à blogosfera e tempo para mim mesma, fora trabalho, diz respeito. Hoje, foi só uma passagem fugaz para ver se os dedos ainda se sentem à vontade quando teclam por aqui. Definitivamente, sentem-se embora que meio enferrujados.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ainda Da Primavera



‘Espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais ridículo do que eu?’*


Sim, sim, este pode ser o começo ou o fim de mais uma história que apanhei no meu local de trabalho.

Agora, pouco mais de 15 dias de ter começado a dita Primavera (em que o sol anda tímido e o céu mais para o cinzento), os colegas do ‘pito aos saltos’ andam mais calmos. Bom, isso foi o que eu pensei durante esta última semana. Mas ontem, quando olhei à minha volta, reparei que a maior parte deles simplesmente não tem vindo (as benditas férias da Páscoa, que obrigam alguns papás e mamãs a tirar férias para cuidarem dos filhos).

E só ontem dei pela falta deles porque?

1 - Trabalhei no fim-da-semana (coisa que eles felizmente não fazem), portanto, folguei durante a semana.

2 - Ontem estive a trabalhar na área deles e vi o papel de protagonista entre as meninas do ‘comercial’ a ser desempenhado pelo colega que costuma estar sisudo no seu canto a trabalhar (só tem ataques de doideira nas pausas do almoço e do fumar e quando não tem ninguém com quem falar sobre o mercado de valores mobiliários).

Então, antes que perca o interesse no que vou escrever ou me comece a falhar a memória, que é algo que anda a acontecer muito nestes últimos tempos devido ao cansaço (férias, preciso de férias! - É o que diz o Eco, ao Tico e ao Teco que andam adormecidos no meu cérebro) cá vai a história.

Conseguem imaginar-se em frente ao espelho a simular/treinar
 um beijo de língua? Sim? Não?*


Se sim, salta-vos à imagem o ridículo que é esta figura, certo?

Se não, imaginem alguém a fazer caretas a um bebé para ele parar de chorar, quando o que lhe apetecia mesmo (e desculpem lá a expressão) era atirá-lo ao ar, contra o chão ou parede tal o desespero em que se encontra.

Agora, horror dos horrores, substituam o espelho como espectador reflexo desta acção pela vossa equipa de trabalho, chefes incluídos. Conseguiram?*

Eu, como espectadora acidental deste número de entretenimento, tive que virar a cara, porque senti-me envergonhada ao ver o meu colega a inclinar a cabeça de um lado para o outro, a rodar a língua e a sugar os seus lábios, enquanto dizia para todos ouvirem que estava nos linguados.


Finalmente, quando conseguiu a atenção da Menina do ‘comercial’ que anda a rondar ao estilo paraquedista, ainda tive que ouvir isto que se segue (é nestas alturas em que fico a pensar porque é que os meus pais me fizeram com a capacidade de estar a ouvir e seguir mais do que uma ou duas  conversas em simultâneo e mesmo com alguma distância física entre o local onde estou):

**Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - Que raio de beijo é este pá?!?!? Até mete medo.

**Colega sisudo - Eh, pá! Há tanto tempo que não beijo… Acho que até já não comé que se faz isso.

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - Isso nã se esquece.

Colega sisudo - Ai não? Tenho as minhas dúvidas. Posso treinar contigo? Assim até dá pra treinar também uns amassos. Deixas?

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - Os meus lábios e o meu corpo nã são campo de treino.

Colega sisudo - Vá lá, não custa nada são só uns beijos e uns amassos.

Chegada a esta fase da conversa eis que surgem outros personagens.

**Menina do ‘comercial’ (que acha que vem do gueto) - Meu, qué isso pá! Porra que o miúdo está em brasa. Já pensaste ir apanhar ar a ver se arrefeces a turbina?

**Colega da ‘boca porca’ (com sotaque de Viseu) - Alentejana, acalma lá o rapaz. Vai-te a ele ou deixa-o vir-se a ti.

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - …

**Colega ‘cantador caga tacos’ - Vá lá Alentejana, dá-te a ele que já ninguém o aguenta por aqui neste estado.

Colega sisudo - Olha, eu vou à casa-de-banho se quiseres vai lá ter. Sempre temos mais privacidade.

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - Ahmmm!!!

Menina do ‘comercial’ (que acha que vem do gueto) - Meu, tu tás bem. Deste conta do que acabaste de dizer?

Colega sisudo - Só fiz um convite, há mal nisso? Se a Alentejana não quiser faço-o a ti. Assim está melhor?

Menina do ‘comercial’ (que acha que vem do gueto) - Fonix!! Alentejana trata dele.

Colega da ‘boca porca’ (com sotaque de Viseu), Colega ‘cantador caga tacos’, Menina do ‘comercial’ (que acha que vem do gueto) - Trata, trata, trata…

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - E  se fossem todos à merda!!!

Colega sisudo - Vocês as duas são sempre umas desmancha prazeres.



*Só perguntas difíceis, eu sei?
**São os nomes carinhosos que dou aos colegas.
E hoje ainda tenho mais um dia de trabalho, a ver se passa rápido.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Da Primavera


Ainda estão a fazer dois dias que ela começou, mas lá no meu trabalho parece que já dura aos meses.

Anda tudo com o 'pito aos saltos', principalmente, desde que entrou uma equipa 'comercial', composta essencialmente por meninas* que ainda estão a chegar aos 25 anos anos e adoram a atenção, os miminhos e os abracinhos que vão trocando entre elas e também com os colegas masculinos** (apesar de uns quantos terem idade para ser pai delas, serem casados e terem filhos na mesma faixa etária).

Os temas das conversas são sempre os mesmos, 'comida, comida, comida', 'noitadas, noitadas, noitadas', 'trocas de experiências, trocas de experiências, trocas de experiências', 'gostos, gostos, gostos', 'fim do mundo, fim do mundo, fim do mundo' e 'troika, troika, troika'. Sendo que qualquer das conversas, em menos de 2 minutos, acaba por cair no 'sexo, sexo, sexo'.

Ontem, por exemplo, quando cheguei estavam a divagar sobre a importância da naturopatia e... no papel que tinha na prática do cunnilingus. Todos se riam ao estilo dos putos de 12/16 anos, quando na aula de Ciências Naturais se fala em contracepção e sistemas reprodutores (os vulgares pénis e vagina).

Eu, que adoro a chegada da Primavera, porque os dias começam a tornar-se bem mais longos do que as noites e a luz torna-se bem mais intensa (o que nos dá para sunsets maravilhosos e para começar a largar os casacos, os casaquinhos e muito mais os casacões), este ano, dei-me conta que ando a rogar ao esquizofrénico do São Pedro que nos dê no mínimo uma semana e meia invernosa e chuvosa para ver se lá no burgo se acalmam.

Ao fim de duas horas de trabalho, quando tenho o azar de ficar no fogo cruzado destas conversas (por lá não há lugares marcados), já estou a dar em louca por não conseguir ouvir os meus próprios pensamentos, por não conseguir trabalhar descansada (gerindo apenas a ansiedade dos clientes stressados) e por sentir que cada vez mais a idiotice é contagiosa. Até quando vou conseguir resistir às tentações diabólicas do meu universo laboral, escapando a este estilo de discurso? É a pergunta que tenho vindo a fazer-me quase todos os dias quando chego ao trabalho.

Para que conste não sou a única a 'queixar-se' desta forma de estar no trabalho, que é alimentada quer por palavras apregoadas, quer por troca de e-mails que chegam a todos.

No mesmo espaço trabalham 4 equipas com funções e graus de responsabilidade distintas. A que mais se queixa é aquela que mais pessoal e mais trabalho tem (da qual faço parte). Contudo, quando nos dirigimos aos supervisores e coordenadores a quem prestamos contas, que são 5 (seriam 6, mas um faz parte do grupo que alimenta constantemente estas idiotices), dizendo que não há condições para trabalhar, a resposta que temos (independentemente de estarmos a falar com o Zé, o Xico, o Manel, a Beta ou a Pat) é que já estão fartos de vestir o fato do mau da fita e serem só eles a chamar a atenção para o barulho, tema de conversa e troca de e-mails. Quando confrontados com um "Mas isto é o que todos os outros dizem e continua tudo na mesma", dizem "O que querem que faça?". Simples, que deixem de estar na tagarelice uns com os outros e juntem as outras equipas e lhes digam como é que se deve estar num local de trabalho partilhado por mais de duas pessoas. Se não conseguirem fazer isso, há voluntários na nossa equipa para o fazer, usando métodos que podem ir desde conversa entre adultos, desenhos para 'crianças' e porrada para 'mal formados'.



*Para não dizerem que é maldade feminina, aqui fica a imagem do único menino que faz parte dessa mesma equipa.
Para além do seu pouco mais de metro e meio e voz efeminada, tem graves problemas de higiene pessoal: 
anda sempre com os dedos nas cavidades nasais, deixando rasto pelas secretárias por onde passa; 
tem uma barba à Jesus Cristo SuperStar muito mal amanhada, com a qual está sempre a brincar
e tem o cabelo empastado,  porque o tem quase pelos ombros e o usa lambido com um 
produto estranho que lhe dá um toque sujo (e sim, as pontas enrolam-se para fora).

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**Entre a minha equipa já anda a correr, isso sim, uma maledicência sobre alguns destes colegas:
Quando no 'esfrega-esfrega' com as respectivas, para conseguirem manter-se firmes e hirtos 
como uma barra de ferro, pensam nas meninas do 'comercial'. Só pode.