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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ouvi Por Aí



Na paragem de autocarro, conversa entusiástica entre três homens 'machos', na casa dos 20.
 
'Macho' 1 - Uma coisa é ele contar que é gay. Agora isso?!?
 
'Macho' 2 - Ya. Outra completamente diferente é contar detalhes da sua vida sexual.
 
'Macho' 3 - Isso é privado, meus. Não se partilha.
 
'Macho' 1 - Pois não, pois não.
 
'Macho' 3 - Agora esquece lá isso e conta. Como é que foi a noite? Conseguiste comer a X?
 
 
E assim se descobre a linha que separa o domínio privado numa conversa entre os 'machos' e entre os 'outros'.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Teoria Perdida - Palmadinhas Para Estimular a (Auto) Motivação



Todos nós passamos por fases em que nos sentimos mais em baixo e descompensados com a vida.

No meu caso, quando estou num destes momentos a expressão que mais uso é a "Não me apetece", já que nesta fase a minha rotina resume-se apenas e só à realização das tarefas mais básicas para manter um dia-a-dia 'normal'. Poucas ou nenhumas situações, corriqueiras ou extraordinárias, despertam-me o interesse e levam-me a mexer.

Mas como também toda esta inércia me incomoda começo a pensar como lhe dar a volta: preciso de por-me a mexer porque com o decorrer dos dias começo a ficar farta da minha auto-desmotivação, a partir daqui a expressão que mais uso passa a ser "Tenho que me mexer, mas ainda não me apetece".

O engraçado é que sempre que estou nesta fase, tenho uma amiga que parece que a pressente e no meio das nossas conversas estranhas, sobre tudo e sobre nada, arranja sempre soluções para ultrapassar seja qual for a situação. Por norma as primeiras soluções que lhe vêem à cabeça pouco ou nada têm a ver comigo, como ela bem sabe (depois lá consegue arranjar uma ou outra aceitável). Mas todas têm o condão de me fazer rir e entrar no registo do disparate que nos leva a chegar a conclusões ou teorias duvidosas.

As soluções apresentadas passam sempre por sair da rotina e descarregar a energia contida pela inacção (já que nos leva a estar sem energia para fazer mais do que aquilo que andamos a fazer) e traduzem em:

- Busca de aventura - vamos cansar o corpo para pôr o conta-quilómetros da nossa mente a zeros, mas tem que ser algo no campo do radical (adrenalina, adrenalina, adrenalina! Sim, estamos vivas.)

Ou

- Sair para socializar - vamos conhecer sítios e pessoas novas (endorfinas, endorfinas, endorfinas! Sim, estamos vivas).

Em relação à primeira fórmula mágica apresentada, ela sabe perfeitamente qual é a minha resposta: "O meu mexer está muito longe de passar por aí", mas tenta sempre 'cantar um fado', 'fazer uns malabarismos' ou 'dançar um sambinha' para ver se alinho nesta aventura.

Quanto à segunda fórmula mágica já consegue alguns minutos da minha atenção, porque somos people person (neste caso convém ler-se eu sou, porque, supostamente, ela não gosta de pessoas), mas grande parte das vezes a minha resposta é "Sim, sei que isso me fazia bem, mas... não me apetece".

Chegadas a este impasse lá começamos a expor o que vamos procurando ou devemos procurar para que a (auto) motivação se encontre dentro dos níveis aceitáveis. Numa das nossas inúmeras conversas surgiu a Teoria das Palmadinhas, as quais podem ser dadas por nós ou por outro. Contudo, não podem ser umas palmadinhas quaisquer, têm quer ser Palmadinhas Técnicas já que não deve haver ninguém que queira Palmadinhas Amadoras.

Agora vem a questão e o que distingue a Palmadinha Técnica da Palmadinha Amadora? É muito simples, as marcas que elas deixam em nós que depois condicionam a nossa acção.

A Palmadinha Técnica é agradável, tem o poder de estimular todo o corpinho. É aquela que se dada nas subidas mais íngremes melhora a circulação sanguínea e leva-nos a agir com entusiasmo, trazendo resultados muito mais rápido.

A Palmadinha Amadora é muito desagradável, leva-nos a querer ficar ainda mais parados ou no máximo a carpir sobre a nossa desmotivação, já que possivelmente enche-nos o corpo de nódoas negras. É o desânimo total, podendo ser comparável com o pessoal que faz chapão quando mergulha na piscina para poder ensopar todos os que estão secos e descontraídos ao seu redor.

Então, se o que queremos é estimular a nossa (auto) motivação o que se quer ou o que se deve procurar são estímulos positivos, não nódoas negras.

Assim, quando perdemos as forças para a auto-motivação (porque as palmadinhas que nos vamos infligindo estão a passar para o terreno das Palmadinhas Amadoras), devemos rodear-nos e socorrer-nos dos que nos são mais próximos e têm a capacidade de nos dar motivação e de nos conseguir mostrar novamente o caminho para a auto-motivação (já que para nós eles são os especialistas das Palmadinhas Técnicas que nos vão ajudar) e ficarmos longe daqueles que mais não querem ou não conseguem fazer do que alimentar a nossa inércia com as suas Palmadinhas Amadoras.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dos Pastéis de Belém aos Acasos que Levam aos Azares

Há uns dias, depois de um belo almoço entre amigos, cerca das cinco da tarde, tiveram a brilhante ideia de ir lanchar aos Pastéis de Belém (ideia que não é má, já que Belém até é agradável e os Pastéis comem-se).

Imagem retirada e adaptada daqui
Esqueceram-se foi de três pormenores que iriam tornar a concretização desta ideia em algo no mínimo insuportável:

- Era uma tarde de domingo;
- Estava sol;
- E a temperatura estava bastante elevada para a época do ano.

Ou seja, estavam reunidas as três condições para, nessa mesma hora, a população de meia Lisboa e dos arredores estar concentrada aí (a outra metade estaria com toda a certeza na zona oriental de Lisboa) e, muito provavelmente, também a pensar em fazer o mesmo lanche.

Eu, como vivo pelas redondezas e conheço relativamente bem os ciclos de movimento da zona, prontamente tentei chamar-lhes à razão para estes pormenores, mas infelizmente não os dissuadi e lá fomos, porque não podia ser assim tão mau (lá estás tu com os teus exageros, disse-me um).

Claro está que quando lá chegámos estava montando o caos, quer na fila para a compra ao balcão, quer para o serviço de mesa. Os meus amigos ficaram todos muito desgostosos e enquanto eles perdiam-se em lamúrias, eu entrei noutro comprimento de onda e apanhei do ar uma conversa telefónica, meio surreal, de uma miúda que se já tivesse chegado à casa dos 20 seria muito.

Pelo que percebi, a conversa rodava à volta da questão de ser ou não ser pertinente apresentar aos pais um 'ele', o qual poderia ser um namorado recente ou um amigo colorido. Em qualquer dos casos seria um ele para ocupar os tempos mortos e desenvolver a perícia sexual.

Esta última frase é pura conclusão minha e tem, exclusivamente, a ver com o que ouvi a miúda dizer e que passo a citar:

- Ele? Só o apresentava aos meus pais se, por acaso, me engravidasse e
se, por azar, eu descobrisse fora de tempo para poder abortar.

É sabido que um dos poucos métodos contraceptivos em que é garantida 100% de eficácia é a abstinência. Mas dada a dificuldade em seguir este caminho, quando se busca a satisfação a dois, há muita escolha no mercado que reduz significativamente estes "acasos" que se podem traduzir nestes "azares". Sendo que na minha opinião, apesar de consagrada na lei, a interrupção voluntária da gravidez não é, nem deve ser usada com este intuito.

Ao ouvi-la lembrei-me de alguém que, como não tinha paciência para a toma diária da pílula e o respectivo namorado também não a tinha para o preservativo, usava e abusava da pílula do dia seguinte.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Conta-me Como Foi

Como se diz, e bem, uma mesma história, tem no mínimo tantas versões quanto o número de pessoas que nela intervierem.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Conversa Entre Amigos Em Noite de Copos


Amigo - Sabes? Estou a precisar de umas noites de sexo puro.

Eu - Percebo-te. Às vezes também acho que preciso disso.

Amigo - Tudo sem compromisso. Meia dúzia ou dúzia e meia de cambalhotas e, depois, amigos amigos, gostei muito deste bocadinho...

Eu - Principalmente porque foi curto.

(Gargalhada geral)

Amigo - Hoje ao jantar estive quase a propor à N uma cambalhota destas.

Eu - E não fizeste porquê?

Amigo - Pois não sei. Ao fim de 3 copos de vinho pensei: 'devo estar a alucinar com o álcool'.

Eu - Toldados pelo álcool estas propostas fazem e deixam de fazer sentido no mesmo instante. (sorri-lhe)

Amigo - hum, hum...

Eu - Mas se ainda estás a pensar nisso devias ir propor-lhe isso.

Amigo - Eh pá! De momento estou com preguiça de me levantar. O álcool já começa a pesar.

Eu - Ok. Eu sei perfeitamente que enquanto não deitar este copo abaixo e não tiver sede de outro não me levanto daqui, mesmo já sentido o cú completamente quadrado. A noite está óptima e o álcool está a correr livremente pelo sangue. É só curtir!

Amigo - Wiiiiiiiiiiiiiiii! Estamos bem, nós.

Eu - Sim, estamos. É isso que se quer de uma noite entre amigos.

(E desmanchamo-nos a rir)

Amigo - Sim. Agora voltando à conversa e tu?

Eu - Eu o quê?

Amigo - Não estás a precisar de umas cambalhotas?

Eu - Se calhar estou, mas assim que tenho este pensamento, vem logo outro a seguir: estou mas é a precisar de uma coisa mais na onda do afecto adolescente que, para além de, alimentar sensações também alimente sentimentos.

Amigo - Pois...

Eu - Mas mais do que isso, preciso de conhecer pessoas novas, de estimular a descoberta e de uma noite salseira para matar as saudades de dançar.

Amigo - Nisso não te posso ajudar. Não tenho ninguém, de momento, que te possa apresentar e salsa, já sabes, não é a minha onda.

Eu - Ya.Tenho que ser eu a socializar.

Amigo - Sim. Agora vou ver se me levanto que tenho que ir à casinha.

Eu - Boa sorte!

Amigo - Precisas de um refill?

Eu - Ainda vou a meio, pá!

Amigo - Ok! Volto já.

O amigo voltou, assim como esta e outras conversas. O spot ao meu lado esteve bastante concorrido e eu, entre um gole de bebida e uma baforada nos cigarros que ia cravando, fui alimentando conversas pela noite fora (ora a dois, ora a três, ora a quatro. Quer amigos quer desconhecidos).

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Devaneios Alheios - As Portas Do Amor

O amor existe, eu sei.

Por várias vezes já o vi bater à porta. Mas na porta dos outros, não na minha.
Curiosa com esta situação, resolvi mudar de porta. Pelo menos uma, duas, três vezes... Não sei bem.

Pensando bem, mais vezes até, porque perdi as contas à minha mudança. Não fosse o amor ser mais esquivo do que já se revelava, não descartei nenhuma hipótese de mudança.


Mudei para uma porta à frente, para uma porta atrás, para várias portas à frente e várias portas atrás. Também mudei para uma e várias portas ao lado, quer ao lado direito quer ao lado esquerdo.

Em toda esta minha mudança continuei a ver o amor a bater à porta, sempre dos outros. No meu caso nunca houve sucesso.

Com isso, só posso concluir que o raio do amor anda sempre uma porta à frente, uma porta atrás ou uma porta ao lado da minha e não fui feita para o amor. Isso, ou não somos nós que procuramos o amor é ele que nos encontra e temos apenas que estar atentos para lhe abrir a porta.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Reflexos...

... Do pôr-do-sol, que à hora de jantar acompanha-me e permite-me abstrair da barafunda e do stress que, nas últimas semanas, fazem parte das minhas tardes/noites de trabalho e me fazem sair do sério.


... Quando, ociosamente, acendo o cigarro que o corpo pede, fazendo uma pausa na leitura de mais uma página do livro (passageiro frequente na minha mala), deixo o meu olhar prender-se nas cores quentes que a paisagem de final do dia vai mostrando, ao mesmo tempo que deixo a minha mente vaguear livremente nos seus pensamentos sem nexo.


... Dos dias maus deixo-me tocar pelo que de melhor posso tirar deles: ontem foi mesmo o pôr-do-sol*.




*Felizmente, já só falta mais o dia de hoje para gozar uma merecida folga

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Li Por Aí...


O desejo é um jogo. Pode-se jogá-lo como uma nuance subtil ou como um flirt flagrante.*


Emma Wildes, Lições de Sedução


* E tanto de uma como de outra forma dá um enorme prazer jogá-lo.
Digo eu que que pouco ou nada sei sobre isso :)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Li Por Aí...



Os homens necessitam de quatro coisa: 
comida, um tecto, vagina e uma vagina estranha. (...)
É claro que estou a ser irónica; não suporto homens infiéis
que utilizam o imperativo biológico como desculpa.*


Marian Keyes, O Homem Encantador


* De facto, a precisarem seguir por este caminho, há 'desculpas' melhores

sábado, 30 de abril de 2011

Do Casamento Real...

.... Que juro que não vi (simplesmente porque não quis)*, mas que acabei por acompanhar assim:


[Amiga] · 10:50
Alô,
Estás a ver o casamento?
[Eu] · 10:50
Olá, olá,
Não, não estou, porquê?
[Amiga] · 10:50
Nada,
Estava só a perguntar
:-P
[Eu] · 10:51
Não faz parte dos meus planos para o dia de hoje
[Amiga] · 10:51
:-)
Eu há falta de melhor, cá estou
:-P
[Eu] · 10:52
São opções.
Hoje, julgo que meio mundo está ruído de inveja de quem não trabalha
[Amiga] · 10:53
Eu não :-S
Mas pronto
Ainda acredito em contos de fadas e gosto de ver estas coisas.
[Eu] · 10:53
...
[Amiga] · 10:57
Está tudo bem amiga?

Ao fim de 7 minutos de conversa, não foi mau ter-se lembrado de perguntar como estou e eu aproveitei para ir à minha vidinha.






A [Amiga]** bateu o recorde das actualizações de estado. Em duas horas colocou 15 entradas referentes ao casamento, que vão desde a comunicação que o vai ver na TV; Que gosta disto e que não gosta daquilo (a parte fashion da coisa); Que está comovida; Que é o casamento do século até vir a ocorrer o dela; Que derramou umas lágrimas; Que os votos dos noivos são palavras lindas; Que é romântico a noiva não saber onde vai passar a lua-de-mel; Que agora estão a jurar fidelidade e que traduzem o hino. Claro está, que quase todas estas actualizações tiveram pelo menos 10 comentários, quase ao segundo de quem via e de quem não via a cerimónia.

Os que não viram acabaram quase todos por publicar uma entrada do género: Será que sou o único que não está minimamente interessado em ver o casamento real?, havendo quem com esta actualização tivesse batido o recorde dos comentários.

Mas a entrada que mereceu o meu 'Like' foi a que não teve nenhum comentário e saiu directamente do:












Como a vida não é só tecnologias, ainda tive a senhora minha mãe*** a partilhar comigo ao vivo e a cores as peripécias do casório:

- Os comentadores da SIC (a Júlia e a Ana) não se calaram durante a cerimónia e só falavam em suposições de protocolo. Disseram que a noiva ainda não sabe acenar e que a mãe da noiva deveria ter levado umas luvas, senão vestidas pelo menos nas mãos. Ah! e também estiveram a mostrar os copos que iam ser usados e a falar do serviço de loiça.

- A TVI mandou o Goucha para Londres não sei muito bem para fazer o quê, mas também não gosto do programa dele.

- Na RTP o D. Duarte estava a comentar juntamente com o J. R. dos Santos quiseram fazer a coisa com ar de noticiário, mas a voz do D. Duarte deu-me sono e acabei por adormecer e não fazer a tempo e horas o que tinha planeado.

*-*-*-*-*

*Deve ter sido pelo meu desdém para com a cerimónia real que perdi o casaco e apanhei uma molha, 
que me deixou como um pinto e a bater o dente de frio,  quase quase a chegar a casa.
Agora, vou para a banheira a ver se aqueço e me livro de todo este mel real
que mel deixou bastante nauseada e, a modos que, pegajosa.
 
**Definitivamente, é totalmente desocupada e anda à procura do que fazer.
Com muita pena minha, está sempre a ir aos locais errados.

***Merecidamente desocupada, após muitos e longos anos
a contribuir arduamente para a economia deste país.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ouvi Por Aí (7)


Velho Emproado e Consciente (ou não) da Sua Virilidade:


Ó! isto não é nada.
Eu chego a fazer amor com a minha mulher 5 a 6 vezes... 
(aqui houve lugar a uma pausa para dar ênfase ao ao resto da história)
... em 10 minutos, só porque me esqueço que já o fiz.




* Depois deste absurdo, que pareceu-me um misto de sintomas entre o alzheimer
e a precocidade, repreendi-me por ter esquecido o mp3 no trabalho.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ouvi Por Aí (6)


Ele - E tu e o André?

Ela - Eu e o André?

Ele - Sim. O que há entre vocês? Vejo-vos sempre a falar muito um com o outro. 
Quando estão juntos toda a gente à vossa volta deixa de fazer parte da vossa conversa.

Ela - Somos amigos. Falamos muito, mas não há trocas de SMS's nem conversas via MSN. 
Somos mesmo amigos amigos. Como é que te hei-de explicar? Somos tipo amigos...

Ele - Se não trocam SMS's nem conversam no MSN só podem ser amigos do coração.

Ela sorri com a compreensão d'Ele.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amarelo*

Acabei de descobrir que a cor dominante do meu cérebro é a amarela (e eu nem gosto muito do amarelo).

Ao ser amarelo parece que identifica-me como uma pessoa leal, responsável, respeitadora, organizada e que valoriza tradições, estabilidade e compromissos. Será?



* Para quem quiser ver qual a sua cor é só ir aqui

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ouvi Por Aí (5)


Do outro lado da linha alguém deve ter perguntado algo do género:
- Então como está a correr o dia do aniversário?

Deste lado da linha ela responde com um entusiasmo contagiante:
- Imagina o teu casamento de sonho?

O outro lado da linha deve ter-se perdido nesta imaginação e o que saiu não deve ter sido mais nada do que:
- ?!?!?!?!?... uuuuum?!?!?

Deste lado da linha ela insiste com o mesmo entusiasmo:
- Pai estás a imaginar o teu casamento de sonho? É isto mesmo que está a ser o meu aniversário. Como a mãe disse entrei na pubridade. Estou TÃOOOO FELIZ!

Do outro lado da linha devem ter surgido mais pontos de interrogação e exclamação ou no máximo:
- Entraste na quê?!?!?

Deste lado da linha, com o entusiasmo elevado à máxima potência:
- Na PO-PRE-IDADE!!! Bom, mas vemo-nos mais logo na festa. Tenho que desligar que o X está a ligar. Beijo.

O X deve ter perguntado algo do género:
- Então como está a correr o dia do aniversário?

Deste lado da linha ela responde com um entusiasmo contagiante:
- Imagina o teu casamento de sonho?*


*Esta foi a resposta dada em todos os 10 a 20 telefonemas recebidos.
Aos 14/15 anos um aniversário que começa com uma ida à praia
e termina com um jantar no restaurante do bairro é, de facto,
um SONHO!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ouvi Por Aí (4)



- Encontrei a minha alma gémea pelo MSN e andamos quase sempre desencontrados.
- Então?
- Ele quase nunca tem a possibilidade de lá ir para e eu ainda menos, fiquei sem net em casa.
- Sem net porquê?
- Há duas semanas cheguei tarde a casa e podre de bêbeda e os meus pais cortaram-me o acesso.
- Mas não tens o número de telemóvel dele?
- Tenho.
-Então porque não falas com ele?
- Da última vez que falámos via MSN disse que perdeu telemóvel e que pais não lhe davam outro.
- Pois...
- Estou triste, porque finalmente tinha encontrado a minha alma gémea, não é justo.



* conversa entre duas miúdas que se tivessem mais de 16 anos seria muito

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ouvi Por Aí (3)


"Não é o fim do mundo,
mas é uma grande merda!"




* Encontrada-se na perfeição no meu estado de espírito

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ouvi Por Aí (2)


"Os meus phones devem estar estragados.
Ouvem-se assim...RSHSHSH, RSHSHSH...
Meio desfocados."

****

"Amiga 1 - A minha vida está tão má!
Já não sei o que fazer, só me apetece morrer...

Amiga 2 - Porque não te assassinas?
É uma boa solução! Não?"

****


segunda-feira, 22 de março de 2010

Conversa Estranha Entre Estranhos

Depois do jantar procuro um canto no exterior da esplanada coberta para calmamente desfrutar de um cigarro.

Na rua não se vê quase ninguém, no entanto oiço, sem conseguir ver quem seja, alguém num desabafar atormentado sobre as certezas e as incertezas que a vida lhe trouxe e o ponto em que se encontra: perdida.

Sorriu, enquanto inalo o fumo do cigarro, meio perdida entre o serpentear que a chama laranja do seu fogo vai desenhando ao queimar e o pensamento que me assalta: Olha mais uma!

Sem querer este pensamento foi verbalizado e pelos vistos demasiado alto, pois do canto oposto ao que me encontro, onde apenas vejo brilhar um ponto laranja de um outro cigarro, ecoa uma voz masculina.

- E você?
- Está perdida ou a perder-se?

Quando volto a mim e percebo que é a mim que se dirige, sem fazer qualquer intenção para se mostrar, mantendo o sorriso que se reflecte na voz, respondo:

- Melhor do que isso, estou a aceitar-me como sou.

- Como se faz isso? - pergunta quase em urgência.

- Um dia de cada vez e dando mais ouvidos a nós próprios do que aos outros que julgam saber mais de nós... Isso já é um começo.

E após uma breve pausa continuo:

- Ah! E se isso não resultar, uma ou duas vezes sem exemplo, com um copito de álcool.

- É... Um Whisky parece mais fácil. - responde sorrindo.

- Olhe que não, olhe que não. - replico em tom trocista - Às vezes é bom obrigarmo-nos a ver-nos e  não somente a olhar-nos.

- Pensamento assustador. - dispara prontamente.

- Tem tanto de assustador como de revelador. A verdade é que procuramos quase sempre manter-nos ocupados para não haver muitas oportunidades de vermos sem filtros.

- Parados poderemos tornar-nos reaccionários...

- Há quem acredite ser suficiente passar a vida inteira só a olhar-se.

- E você? em que acredita?

- Acho que mais do que acreditar passo por fases. O ver assusta-me, mas desvenda-me sempre um pouco mais de mim.

- Hummm...

- o Olhar é confortável, dá um falso equilíbrio.

- Hummm...

- De momento ando numa fase de speed dating com o ver, porque para mim, cada vez mais, acho que olhar não me basta.

- Hummm... Interessante.

-Sim?

- Sabe? - denoto uma mudança de tom que não consigo distinguir se trocista ou sedutor - Estou a construir uma imagem confortável de si...

Exalo o fumo do cigarro que dei como terminado e enquanto tento matar o burrão para, igualmente, dar como terminada a conversa que nesta altura já não me seduz, acrescento:

- Isto que viu é só um pouco de mim.

Saio do meu canto e volto para o interior aproveitando a boleia de um grupo de pessoas que entretanto chegou.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Espera

O tempo de desespero e inquietação da alma
entre a tua partida e a tua nova chegada.


Ou...


O compreender que o teu regresso
pressupõe a tua ausência (interminável).

segunda-feira, 23 de novembro de 2009