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terça-feira, 5 de março de 2013

Estou Óptima, Temos Pena

O chato de ir de férias é, no final, ter de voltar à rotina do trabalho. Mas como há coisas piores na vida, já me reabituei a esta dura realidade.
 
Isso tudo para dizer que há meia dúzia de dias regressei ao trabalho, depois de um curto período de férias e para confessar que a vontade de voltar era pouca e quando lá cheguei passou a quase nenhuma.
 
Primeiro, porque os dias de afastamento "souberam a pato".
 
Segundo, porque logo ao chegar à xafarica tive a infelicidade de me cruzar com a coleguinha do costume que, para não variar, recebeu-me com a velha boca do "estás mais magra, não está?".
 
Como seis dias longe dos meus coleguinhas e dos nossos nobres "agricultores" são q.b. para repor os níveis de paciência e para manter a boa disposição por muito mais tempo, acabei por estar inspirada o suficiente para arranjar uma resposta à altura da sua preocupação e que a deixou educadamente amuada. Explorar as fraquezas dos outros não é lá grande política, mas para quem não sabe qual é o seu lugar nem tem poder de encaixe, traz resultados maravilhosos*.
 
Agora voltemos ao que interessa, as férias. Principalmente, porque fui brindada com dias de Inverno cheios de sol e temperaturas a chegar bem perto dos 20 graus. Que foi sem dúvida um convite irrecusável para passeios descontraídos pelas ruas de Lisboa.
 
O entusiasmo desta dádiva foi tanto que me vi a sair da cama quase sempre antes das 9h e a pôr os pés na rua a tempo de dizer bom dia aos vizinhos carrancudos com que me cruzei. Algo pouco usual para mim, já que o meu horário de trabalho não me obriga a acordar nem a sair de casa antes do meio dia, muito pelo contrário.
 
Nestas férias só houve espaço com hora marcada para uma ida ao médico e para os preparativos e participação no já célebre jantar de "São Valentão" entre amigos. De resto, foram seis dias calmos a calcorrear Lisboa sem quê nem porquê, quase nunca com destino traçado e quase sempre sem hora de partida e de chegada para aproveitar ao máximo o sol revitalizante que dá vida à cidade. O que me soube bem e me fez ainda melhor.
 
 
*Principalmente quando são pessoas que não se dão bem com o facto dos outros estarem e sentirem-se bem com eles próprios e com a vida.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ainda Da Primavera



‘Espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais ridículo do que eu?’*


Sim, sim, este pode ser o começo ou o fim de mais uma história que apanhei no meu local de trabalho.

Agora, pouco mais de 15 dias de ter começado a dita Primavera (em que o sol anda tímido e o céu mais para o cinzento), os colegas do ‘pito aos saltos’ andam mais calmos. Bom, isso foi o que eu pensei durante esta última semana. Mas ontem, quando olhei à minha volta, reparei que a maior parte deles simplesmente não tem vindo (as benditas férias da Páscoa, que obrigam alguns papás e mamãs a tirar férias para cuidarem dos filhos).

E só ontem dei pela falta deles porque?

1 - Trabalhei no fim-da-semana (coisa que eles felizmente não fazem), portanto, folguei durante a semana.

2 - Ontem estive a trabalhar na área deles e vi o papel de protagonista entre as meninas do ‘comercial’ a ser desempenhado pelo colega que costuma estar sisudo no seu canto a trabalhar (só tem ataques de doideira nas pausas do almoço e do fumar e quando não tem ninguém com quem falar sobre o mercado de valores mobiliários).

Então, antes que perca o interesse no que vou escrever ou me comece a falhar a memória, que é algo que anda a acontecer muito nestes últimos tempos devido ao cansaço (férias, preciso de férias! - É o que diz o Eco, ao Tico e ao Teco que andam adormecidos no meu cérebro) cá vai a história.

Conseguem imaginar-se em frente ao espelho a simular/treinar
 um beijo de língua? Sim? Não?*


Se sim, salta-vos à imagem o ridículo que é esta figura, certo?

Se não, imaginem alguém a fazer caretas a um bebé para ele parar de chorar, quando o que lhe apetecia mesmo (e desculpem lá a expressão) era atirá-lo ao ar, contra o chão ou parede tal o desespero em que se encontra.

Agora, horror dos horrores, substituam o espelho como espectador reflexo desta acção pela vossa equipa de trabalho, chefes incluídos. Conseguiram?*

Eu, como espectadora acidental deste número de entretenimento, tive que virar a cara, porque senti-me envergonhada ao ver o meu colega a inclinar a cabeça de um lado para o outro, a rodar a língua e a sugar os seus lábios, enquanto dizia para todos ouvirem que estava nos linguados.


Finalmente, quando conseguiu a atenção da Menina do ‘comercial’ que anda a rondar ao estilo paraquedista, ainda tive que ouvir isto que se segue (é nestas alturas em que fico a pensar porque é que os meus pais me fizeram com a capacidade de estar a ouvir e seguir mais do que uma ou duas  conversas em simultâneo e mesmo com alguma distância física entre o local onde estou):

**Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - Que raio de beijo é este pá?!?!? Até mete medo.

**Colega sisudo - Eh, pá! Há tanto tempo que não beijo… Acho que até já não comé que se faz isso.

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - Isso nã se esquece.

Colega sisudo - Ai não? Tenho as minhas dúvidas. Posso treinar contigo? Assim até dá pra treinar também uns amassos. Deixas?

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - Os meus lábios e o meu corpo nã são campo de treino.

Colega sisudo - Vá lá, não custa nada são só uns beijos e uns amassos.

Chegada a esta fase da conversa eis que surgem outros personagens.

**Menina do ‘comercial’ (que acha que vem do gueto) - Meu, qué isso pá! Porra que o miúdo está em brasa. Já pensaste ir apanhar ar a ver se arrefeces a turbina?

**Colega da ‘boca porca’ (com sotaque de Viseu) - Alentejana, acalma lá o rapaz. Vai-te a ele ou deixa-o vir-se a ti.

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) -

**Colega ‘cantador caga tacos’ - Vá lá Alentejana, dá-te a ele que já ninguém o aguenta por aqui neste estado.

Colega sisudo - Olha, eu vou à casa-de-banho se quiseres vai lá ter. Sempre temos mais privacidade.

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - Ahmmm!!!

Menina do ‘comercial’ (que acha que vem do gueto) - Meu, tu tás bem. Deste conta do que acabaste de dizer?

Colega sisudo - Só fiz um convite, há mal nisso? Se a Alentejana não quiser faço-o a ti. Assim está melhor?

Menina do ‘comercial’ (que acha que vem do gueto) - Fonix!! Alentejana trata dele.

Colega da ‘boca porca’ (com sotaque de Viseu), Colega ‘cantador caga tacos’, Menina do ‘comercial’ (que acha que vem do gueto) - Trata, trata, trata…

Menina do ‘comercial’ (com sotaque alentejano) - E  se fossem todos à merda!!!

Colega sisudo - Vocês as duas são sempre umas desmancha prazeres.



*Só perguntas difíceis, eu sei?
**São os nomes carinhosos que dou aos colegas.
E hoje ainda tenho mais um dia de trabalho, a ver se passa rápido.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Da Primavera


Ainda estão a fazer dois dias que ela começou, mas lá no meu trabalho parece que já dura aos meses.

Anda tudo com o 'pito aos saltos', principalmente, desde que entrou uma equipa 'comercial', composta essencialmente por meninas* que ainda estão a chegar aos 25 anos anos e adoram a atenção, os miminhos e os abracinhos que vão trocando entre elas e também com os colegas masculinos** (apesar de uns quantos terem idade para ser pai delas, serem casados e terem filhos na mesma faixa etária).

Os temas das conversas são sempre os mesmos, 'comida, comida, comida', 'noitadas, noitadas, noitadas', 'trocas de experiências, trocas de experiências, trocas de experiências', 'gostos, gostos, gostos', 'fim do mundo, fim do mundo, fim do mundo' e 'troika, troika, troika'. Sendo que qualquer das conversas, em menos de 2 minutos, acaba por cair no 'sexo, sexo, sexo'.

Ontem, por exemplo, quando cheguei estavam a divagar sobre a importância da naturopatia e... no papel que tinha na prática do cunnilingus. Todos se riam ao estilo dos putos de 12/16 anos, quando na aula de Ciências Naturais se fala em contracepção e sistemas reprodutores (os vulgares pénis e vagina).

Eu, que adoro a chegada da Primavera, porque os dias começam a tornar-se bem mais longos do que as noites e a luz torna-se bem mais intensa (o que nos dá para sunsets maravilhosos e para começar a largar os casacos, os casaquinhos e muito mais os casacões), este ano, dei-me conta que ando a rogar ao esquizofrénico do São Pedro que nos dê no mínimo uma semana e meia invernosa e chuvosa para ver se lá no burgo se acalmam.

Ao fim de duas horas de trabalho, quando tenho o azar de ficar no fogo cruzado destas conversas (por lá não há lugares marcados), já estou a dar em louca por não conseguir ouvir os meus próprios pensamentos, por não conseguir trabalhar descansada (gerindo apenas a ansiedade dos clientes stressados) e por sentir que cada vez mais a idiotice é contagiosa. Até quando vou conseguir resistir às tentações diabólicas do meu universo laboral, escapando a este estilo de discurso? É a pergunta que tenho vindo a fazer-me quase todos os dias quando chego ao trabalho.

Para que conste não sou a única a 'queixar-se' desta forma de estar no trabalho, que é alimentada quer por palavras apregoadas, quer por troca de e-mails que chegam a todos.

No mesmo espaço trabalham 4 equipas com funções e graus de responsabilidade distintas. A que mais se queixa é aquela que mais pessoal e mais trabalho tem (da qual faço parte). Contudo, quando nos dirigimos aos supervisores e coordenadores a quem prestamos contas, que são 5 (seriam 6, mas um faz parte do grupo que alimenta constantemente estas idiotices), dizendo que não há condições para trabalhar, a resposta que temos (independentemente de estarmos a falar com o Zé, o Xico, o Manel, a Beta ou a Pat) é que já estão fartos de vestir o fato do mau da fita e serem só eles a chamar a atenção para o barulho, tema de conversa e troca de e-mails. Quando confrontados com um "Mas isto é o que todos os outros dizem e continua tudo na mesma", dizem "O que querem que faça?". Simples, que deixem de estar na tagarelice uns com os outros e juntem as outras equipas e lhes digam como é que se deve estar num local de trabalho partilhado por mais de duas pessoas. Se não conseguirem fazer isso, há voluntários na nossa equipa para o fazer, usando métodos que podem ir desde conversa entre adultos, desenhos para 'crianças' e porrada para 'mal formados'.



*Para não dizerem que é maldade feminina, aqui fica a imagem do único menino que faz parte dessa mesma equipa.
Para além do seu pouco mais de metro e meio e voz efeminada, tem graves problemas de higiene pessoal: 
anda sempre com os dedos nas cavidades nasais, deixando rasto pelas secretárias por onde passa; 
tem uma barba à Jesus Cristo SuperStar muito mal amanhada, com a qual está sempre a brincar
e tem o cabelo empastado,  porque o tem quase pelos ombros e o usa lambido com um 
produto estranho que lhe dá um toque sujo (e sim, as pontas enrolam-se para fora).

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**Entre a minha equipa já anda a correr, isso sim, uma maledicência sobre alguns destes colegas:
Quando no 'esfrega-esfrega' com as respectivas, para conseguirem manter-se firmes e hirtos 
como uma barra de ferro, pensam nas meninas do 'comercial'. Só pode.


sexta-feira, 9 de março de 2012

Piursa, Piursa, Piursa!!!!

Há pior do que chegar ao trabalho, abrir o email, receber uma alteração de horário de última hora (que dá cabo dos planos para o fim-de-semana do final do mês), ver-me, durante oito horas, forçar um sorriso (hoje, inteiramente falso) já que que andei todo o dia assim?

Piursa, fula, P da vida e a espumar por todos os poros


Há, claro que há!

Tudo isso acontecer depois de uma folga muito bem passada (entre massagem ayurvedica, sessão de reflexologia, reencontro com amiga que não via há pelo menos dois anos e que levou a algumas horas de conversa, andar a contra-relógio para chegar a Alvalade antes do jogo acabar - pelo menos consegui apanhar o último minuto da primeira parte e a segunda parte completa - e um jantar de petiscos em boa companhia) que me deixou revigorada e pronta para enfrentar os próximos 4 dias de trabalho.

Uma vez mais digo, estou Piursa, Piursa, Piursa!!!!



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Outros Tempos, Outras Danças: A Menina Dança? (Reeditado)*


-Isso é um desafio, Fred Aster?

- Não. É uma promessa.

- Para não cumprir, queres ver?

-Bem, acho que chega de palavras. Vamos à acção.

- Tudo bem.

-A menina dança? - lanças o convite, enquanto me estendes o braço e me encaminhas para a pista.

- Uhm?!?!? Sabes dançar?

-Eu prometi fazer-te brilhar.

- Mas sabes danç...

-Xiuuuuu... - sussurras, aproximando o indicador dos lábios para enfatizar que o momento é para dançar.

Remeto-me ao silêncio.

Os nossos corpos enquadram-se, os nossos braços emolduram-se. O meu entre o teu omoplata e pescoço, o teu um pouco acima da minha cintura.

A medo, as nossas cabeças aproximam-se, acabando por encontrar a posição perfeita. Com o desenrolar da música vou-me deixando levar. A distância entre os nossos corpos diminui naturalmente.

Cada vez que ajeitas a mão que descansa sobre as minhas costas sinto o meu corpo arrepiar. De cada vez a sensação é mais intensa, é mais abrangente. Respiro fundo, numa tentativa de acalmar o coração que disparou.

Os meus olhos já fecharam. Apenas oiço a música, sinto a tua presença e a leve pressão dos teus braços que me indicam onde me queres levar. Sinto-me leve como uma pena. A sensação de não sentir tocar os pés no chão faz com que vá estreitando os braços junto ao teu pescoço para aumentar o meu conforto. Sinto-me perdida no espaço mas confiante na tua condução.

Volto a estreitar os braços à volta do teu pescoço, o que faz com que o meu polegar casualmente roce a tua orelha. Suspiras e, uma vez mais, sinto o meu corpo vibrar.

Ajeitas a mão que se apoia nas minhas costas, respiras fundo, prendendo o ar por uns segundos e libertando-o lentamente, levando o ar que expiras a envolver o meu ouvido. Outro arrepio percorre o meu corpo.

Um novo cingir de braços, faz com que a minha mão se aproxime da tua nuca, com que a ponta dos teus cabelos toque ao de leve os meus dedos e com que as minhas unhas afaguem os teus cabelos. Em reacção ao meu gesto, sinto-te inspirar profundamente.

Neste instante, sem querer, os teus lábios roçam a minha orelha. Um novo arrepio invade o meu corpo. E mesmo não sendo intencional os nossos corpos retraem-se, o que nos leva a ficar um pouco perdidos a meio da dança.
Recomeçamos o processo de adaptação. Uma vez mais os nossos corpos procuram o encaixe perfeito, a música atrai-os a comprimirem-se um de encontro ao outro. A temperatura volta a subir, o nosso suor mistura-se, os nossos lábios secam.

Com a língua vais tentando humedecê-los, para que o desconforto não quebre, uma vez mais, o desenrolar da dança. E numa das muitas tentativas falhas o alvo, acabando por passar a língua sobre o lóbulo da minha orelha. Os nossos corpos retraem-se num misto de desconforto e prazer. O braço enlaçado ao teu pescoço afrouxa, refreando o prazer.

Concentramo-nos na música, concentramo-nos na dança. De momento, somos um só. O meu corpo não hesita mover-se, sem qualquer resistência, aos teus comandos. Vai-se deixando guiar.

A nossa respiração encontrou o mesmo ritmo e os corações pulsam no mesmo compasso. Há muito que deixámos de reagir a estímulos externos.

Só existimos nós, a música e a dança. Perdemos a conta das músicas que passam.

A música termina, as luzes acedem-se, anunciando o final da noite. Os nossos corpos mantêm-se unidos, presos num abraço que termina no mesmo ponto onde começa. Continuam ligados pelo ritmo e dinâmica que criaram. Na sua música, na sua dança.

Constatamos que só restamos nós na pista e então afastamo-nos. A nossa respiração ainda está acelerada e as mão entrelaçadas.

Olhamo-nos, sorrimos e afagamos a mão um do outro, agradecendo. Os nossos corpos aproximam-se, provocando um ligeiro choque entre as nossas testas. Desvio a cabeça um pouco para o lado, aproximo os lábios da tua face e solto um beijo. Novamente, olhamo-nos, sorrimos e afagamos a mão um do outro.

Libertos da magia da noite de dança, nasce o constrangimento. As mãos soltam-se, os sorrisos desfazem-se e os olhos evitam-se.

- Tenho de ir. - digo enquanto te viro costas e me aproximo da saída.

-Sim. - consentes.

- Mariza! - chamas-me.

- Sim?

- Promessa cumprida?

- Desafio ganho.

- Brilhámos os dois, portanto.

Sorrio ao ouvir a tua resposta.




*Só porque, há pouco, ao acordar apercebi-me que a dança
 entrou nos meu sonhos e fez-me levantar com um sorriso nos lábios,
 que estou a aproveitar ao máximo, já que à partida vai ser sol de pouca dura. 
Hoje, o dia de trabalho que ai vem promete ser bem puxado e em ritmo nonstop.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Parece Impossível... Mas É Verdadeiro



Hoje lá pelo burgo, que me dá a mesada para sustentar os vícios, estive cerca de 40 minutos em chamada com uma Cliente apenas e só para a acompanhar no primeiro acesso ao serviço que o nosso site disponibiliza.

Destes 40 minutos, estive cerca de 15 a tentar explicar-lhe onde ficava a barra de endereços do browser (que para quem ainda não sabe não é a barra de pesquisa do google ou de qualquer outro motor de busca que por norma definem como página inicial), durante outros 20 a dizer-lhe letra por letra o endereço do site, e o tempo restante a tentar que a senhora carregasse na tecla ENTER para carregar a página e assim podermos iniciar a navegação. 

Nesta fase, claro está, já tinha meio escritório a olhar para mim, atento à minha conversa. Sendo que em puro acto de desespero (já que a senhora não sabia realmente que tecla era esta, como também não sabia o que é um til e um acento circunflexo) acabei por tentar ir pelo caminho mais fácil e disse-lhe "É a tecla grande que fica ao lado da tecla três".

Quando percebi o que disse olhei, estilo reflexo condicionado, para o teclado numérico do meu PC para ver se era igual ao do telemóvel, que claro não é, e já não consegui manter-me minimamente séria e concentrada na chamada. Todos à minha volta só riam já que na cabeça deles chamei propositadamente a senhora de DEF.

Como mesmo com esta última explicação a senhora não conseguiu encontrar o ENTER perguntei se havia alguém por perto com mais experiência com computadores. Resposta: "A única pessoa que cá está é o meu marido e ele é que me pediu para fazer isso, porque não percebe nada e eu vou percebendo alguma coisa de computadores."

Depois de obter esta resposta e de todo este tempo que dediquei à senhora tive que sugerir que procurasse auxílio para ultrapassar esta dificuldade no posto de atendimento presencial onde lhe foram atribuídos os dados do acesso.



Claro está, fiquei o resto da tarde/noite de trabalho a pensar o
  que se passa na cabeça dos colegas do atendimento presencial para
subscreverem este serviço a clientes que mal sabem ligar um computador,
quanto mais usá-lo. Será que não se apercebem do risco que tal representa?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Brincadeiras Parvas

No burgo onde labuto, há um grupo de colegas que quando não tem nada para fazer "diverte-se" a criar anúncios para adultos e a publicá-los em sites de classificados.

Claro está que, para a brincadeira ter mais "graça", disponibilizam para contacto os números de telemóvel uns dos outros.

Por isso, a ver se me lembro que não convém, NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, dar-lhes os meus contactos.

domingo, 10 de outubro de 2010

Do Verão ao Outono...

... Foi  um instante:

- Os dias intermináveis do Verão foram substituídos pelas primeiras chuvas do Outono;
- As botas já ocupam os pés em vez das sandálias e das havaianas;
- O corre-corre de 8 a 10 dias de trabalho nonstop em horários loucos deu lugar a uma total ausência de horários.

Mas na memória fica, uma vez mais:

- Os dias descontraídos de praia de papo para o ar;



 - As caminhadas despreocupadas;



- As conversas perdidas e maratonas de esplanada com sunset e after sunset na companhia dos amigos.



Para além de ter a certeza que este curto período de tempo marcou o fim de um ciclo de 3 anos e dá início a um novo começo que se quer de crescimento pessoal, profissional e sentimental.

Só é preciso estar no sítio certo, no momento certo e aproveitar aquilo que a vida nos apresenta.

domingo, 6 de junho de 2010

Das Férias


No final do ano passado, já depois do Natal, o chefinho lá no burgo virou-se para mim e disse:


- P. Gira há que marcar férias, tens 12 dias para gozar até ao início de Março.

Ao que eu respondi:

-O.K. estou mesmo a precisar de uns dias de descanso. Mostra lá o mapa para ver o que me agrada, há uma semana em Janeiro que até me dá jeito.

- Pois Janeiro não dá, está completo. Ah! E acho que a primeira semana de Fevereiro também está completa…

- Sim, só a partir da segunda semana de Fevereiro é que consigo encaixar novas férias.

- Então marca-me os 12 dias a partir dessa data.

- Só te posso marcar 10 dias seguidos.

- Marca os 10 , que logo vejo como marcar os outros 2 que faltam.

- Ah! É verdade se gozares 10 dias agora, depois este ano já não vais poder gozar mais um período de 10 dias seguidos.

- Assim, tenho muito pouco por onde escolher. Marca então 5 dias de cada vez e fico a trabalhar uma semana pelo meio. Os outros 2 dias marca para 3 dias depois de eu voltar da segunda semana de férias e não se fala mais disso.

- O.K. está marcado. Mas não te esqueças de enviar e-mail com o pedido de marcação para enviar à coordenação para a provação.

- Mas esta conversa toda e ainda não me consegues garantir que vão ser aprovadas?!?!?

- Pois…

Destes 12 dias só foram aprovados 7, sendo que fiquei a saber que uma semana não dava mesmo na 6ª feira antes de sair do trabalho.



No final de Abril, agora a chefinha vem com a mesma conversa, dias para marcar é que são quase o dobro e prazo para gozar até início de Outubro.

Quando vejo mapa de férias rio-me. Não há muito por onde escolher. Mas chefinha pergunta qual a minha preferência.

- A única preferência que tenho é a semana depois dos feriados de Junho, tenho convite para a Croácia.

- Ah! Esta semana pode ser, está livre.

- Mas quero marcar 6 dias para não acontecer como da última vez que supostamente só iria estar a trabalhar até 6ª feira, mas afinal tive que trabalhar no fim-de-semana e até á 1h da manhã.

- Então. estão marcados 6 dias, agora envia e-mail para aprovação da coordenação.

- E desta vez a resposta da coordenação vai voltar a vir só na véspera do período de férias como da última vez.

- Pois não sei, não te consigo garantir, já deu para ver que ritmo de trabalho este ano está um pouco esquizofrénico, ora está tudo controlado, ora é o descontrolo total.

- É melhor que se decidam que tenho que marcar viagem com antecedência e tenho outras pessoas a contar comigo.

- O.K. a ver o que consigo fazer.



A meio de Maio nova abordagem da chefinha sobre férias:

- P. Gira, olha afinal não vai dar para teres férias na semana que pediste. Tivemos que alterar a marcação de toda a gente. Como já sabes temos duas pessoas de baixa psicológica.

- Vá-se lá saber porquê? Aqui ninguém consegue ter vida própria ou combinar qualquer coisa com mais de 15 dias de antecedência.

- Não seja assim...

- Assim como? Só estou a constatar um facto. Horários, folgas e não-férias malucos é natural que provoque desgaste psicológico. Mas pronto, voltando ao que interessa que tenho que trabalhar não podendo tirar férias quando quero, qual é o resultado da vossa brincadeira com as férias?

- Bom. Vais ter de marcar 10 dias de férias, sendo que calham nas duas últimas semanas de Junho e início de Julho.

- Eh pá! Não me lixem. Para além de não conseguir ter férias na data que tinha coisas combinadas, ainda vou ter que tirar 2 semanas?!?!? Estão a gozar com a minha cara não estão?

- Tivemos de mudar as marcações de toda a gente…



No final da semana passada, após 8 dias de trabalho nonstop, novamente, assunto férias pela boca do chefinho:

- P. Gira estou aqui a fazer os horários para daqui a 15 dias, estás nas escalas como estando de férias, mas não sei se vai ser aprovado.

- O quê que foi desta vez?

- Temos mais uma baixa.

- Quem é que entrou em curto circuito agora?

- Curto circuito?

- Sim, quem é que agora meteu Baixa?

- Ah isso! Ninguém. É o X que vai-se embora, arranjou outra coisa.

- Mas porque será que estas coisas só acontecem comigo?

- ...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O que Me Passa Pela Cabeça

Continuo a não perceber porque é que as pessoas acham que vão conseguir resolver os seus problemas apenas e só por comportarem-se como arrogantes-mal-formados.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Falta de Cérebro*



Colega Desesperado - Eh pá! não percebo porque é que há Clientes que quando vêem falar connosco insistem a trazer apenas metade do cérebro.

Eu - O pior é que grande parte deles insiste sempre em trazer a metade do cérebro que não funciona...







*Desabafos depois de loooooooooonga
conversa escrita com clientes

quinta-feira, 26 de março de 2009

Quando o Telefone Toca...

A je atende.

Depois do protócolo de acolhimento (boa tarde, com quem tenho o gosto de estar a falar? - porque, como já me disse um outro, o prazer é só logo à noite - como tem passado?) acontece o seguinte diálogo:

O Sr. Cliente - É o seguinte, preciso de uma ajuda com o meu CARTÃO DE CRÉDITO. Quero usá-lo, mas NÃO ME LEMBRO DO CÓDIGO. Escrevi-o numa folha de papel que trago sempre na carteira, com outros códigos mas já não sei qual é. Pode ajudar-me? É que tenho códigos de 8, de 6 e de 4 e alguns têm letras.

A je - O código do cartão é secreto e não temos acesso ao mesmo. Contudo, O CÓDIGO DO SEU CARTÃO É COMPOSTO POR 4 ALGARISMOS.

O Sr. Cliente - 4 ALGARISMOS?

A je - EXACTO. Assim, os códigos que escreveu que têm mais de 4 algarismos e têm letras não são do seu Cartão.

O Sr. Cliente - Muito bem. Mas já agora diga-me mais uma coisa. JÁ QUE O CÓDIGO TEM 4 ALGARISMOS, SABE-ME DIZER QUANTOS DELES SÃO LETRAS?

A je - Sr. Cliente um código composto exclusivamente por algarismos NÃO TEM LETRAS.

O Sr. Cliente - Ai não?!?!? TEM A CERTEZA?

A je - ...

O Sr. Cliente - Olhe, como já vi que isto assim não vai lá, esqueça. Eu vou ver se descubro o código de outra forma. APESAR DE NÃO ME TER AJUDADO, MUITO OBRIGADO.


E assim ficámos conversados.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pérola de Natal Lá No Burgo

Entre uma pausa para café e outra para cigarro. Há alguém que se lembra do doce preferido do Natal e partilha com o ar mais inicente de quem está 100% convicta do que diz:

"Do que eu gosto mesmo dos doces de Natal são os Coscolhões."

Escusado será dizer que depois disso mais ninguém conseguiu chamar os ditos pelo nome correcto.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

GRINCH

Lá no burgo, barra, espelunca onde eu trabalho, coleguinhas e chefes acham que só por ser Natal, devemos estar todos imbuidos do tal Espírito Natalício. Daí alguém ter tido uma ideia tão infeliz, mas tão infeliz que, claro está, agradou de imediato ao chefinho.

Como ideia que é infeliz e que agrada o chefinho, deve ser partilhada com toda a gente. Lá vai disso.

Chefinho - Pessoal Esta semana quero todos a trabalhar com um gorro de Pai Natal.

Euzinha fiquei incrédula com tamanho absurdo, ao contrário de todos os outros que gostam de fazer figuras triste no trabalho só para agradar ao chefinho, claro está que não consegui resistir e ficar calada.

Euzinha - Desculpa?!?!? Gorro? Porquê um gorro?
Chefinho - Porque é Natal!
Euzinha - Não uso gorros e muito menos gorros temáticos.
Chefinho - Então trazes um acessório qualquer alusivo ao Natal.
Euzinha - Também não uso acessórios.
Chefinho - Mas qualquer mulher usa acessórios. Não me digas que a seguir vais dizer que não és gaja?
Euzinha - Até sou, só que não uso gorros nem acessórios alusivos ao Natal.
Chefinho - És sempre a mesma coisa. Mas qual é o teu problema agora, posso saber?
Euzinha - Sim claro que sim. O meu problema é mesmo o Natal.
Chefinho - O Natal? Como assim?
Euzinha - Chefinho na minha Religião não se comemora o Natal.

Neste momento toda a gente olhou para mim e depois para Chefinho que ficou tão, mas tão, tão atrapalhado que perdeu o pio.
E eu a controlar-me para não explodir e cair redonda no chão de tanta vontade de me rir do ar dele.

sábado, 29 de março de 2008

Um Azar do Caraças!

No dia em que mudamos para o horário de Verão, ter que que acordar às 6 horas da manhã (antigas 5 horas) para ir trabalhar.
Eu não mereço isso.



Tenho que arranjar
UM EMPREGO URGENTEMENTE,
já estou farta de TRABALHO.

sábado, 10 de novembro de 2007

Bolsas: Galp e LV

Ontem, à conversa com uma colega no trabalho depois de termos sido informadas que as acções da Galp valorizaram 24,7% e apresentaram uma rendibilidade a 1 ano de 150%:

Eu - Vejo-me chegar ao Admirável Mundo Novo.
Ela - Como assim?
Eu - Percebo que os resultados da Galp são positivos. Mas não percebo nada de mercados financeiros.

Ela como expert no assunto dá-me uma breve explicação.

Eu - Percebo isso, mas troco os termos técnicos. Além disso, continuo a dizer que não percebo nada de bolsas.

Ao que ela responde com o ar mais sério do mundo:

- Desculpa lá alguma coisa deves perceber, nem que seja da Louis Vuitton.

Ainda demorei alguns segundos a perceber e de repente olho para ela e partimo-nos a rir.





Já recompostas continuamos a conversa:

Eu - Eh pá! Nem por isso. Pelo menos os clássicos fazem-me lembrar a minha avó.
Ela - As clássicas são um pouco old-fashioned, mas as de pele de avestruz são bem giras.

E desta forma voltámo-nos a perder dos fundos de investimento.