terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Da Frontalidade dos Mais Velhos


A propósito da frontalidade contemporânea relatada AQUI, em que me ofereci para relatar "uma ou outra história de comportamentos frontais dos mais velhos neste mesmo registo" e uma vez que esta oferta foi aceite. Aqui vão elas (só espero que correspondam às expectativas).


HISTÓRIA 1 - Entre Pais e Filhos

O top da To Do List de uma amiga (para além dos clássicos plantar uma árvore e escrever um livro) é ser mãe. Toda a família dela sabe disso e muitas vezes é o tema das conversas nos almoços domingueiros em que se juntam todos (o pai, a mãe, os padrastos, os irmãos, os tios e os avós)., já que para além de serem muitos, são bastantes interventivos na vida e nas decisões uns dos outros.

Os planos do quando e do como há muito que estão traçados, havendo duas possibilidades para o projecto ser concretizado. E agora que a idade por ela definida como limite está a aproximar-se, o pêndulo está cada vez mais inclinado para o cenário que sempre gerou mais controvérsia. Já que ela, de momento, não tem uma relação e não conta que em breve isso possa acontecer.

Os dois planos que ela vem organizando têm em conta dois possíveis cenários:

Cenário A - Ter uma relação;
Cenário B - Não ter uma relação.

O Cenário A sempre reuniu o consenso geral da família e não faz qualquer diferença que a concepção seja realizada no clássico estilo missionário ou num mais exuberante proporcionado pelo Kama Sutra e pela imaginação dos intervenientes.

O Cenário B é que tem feito surgir as conversas mais absurdas, porque em família não pode deixar de haver frontalidade.

Assim, não havendo relação, o método de concepção será a inseminação artificial com doador anónimo (pois neste cenário ela prefere uma produção independente).

Ao pai e a um dos padrastos faz-lhes confusão o doador anónimo. Por isso, já apresentaram várias listas de amigos que estariam dispostos a serem-no, já que querem ser pais. A lista até vem com os predicados que justificam a escolha de X, Y e Z.

À mãe tudo neste cenário não faz sentido, já tendo esgotado todas as justificações para as objecções que tem.

A última de todas, foi a que bateu para lá do fundo da absurdidade e aconteceu quando em mais um almoço domingueiro, a avó pediu que lhe relembrassem os nomes escolhidos para o seu futuro bisneto.

Neste dia a mãe da minha amiga atingiu o seu limite, tendo entrado numa conversa com ela no mínimo macabra, no intermédio sarcástica e no máximo caustica.

Mãe - Acha mesmo que eu vou ter um neto chamado Francisco Frasquinho ou uma neta chamada Mariana Pipeta?

Filha - Frasquinho e Pipeta? O que quer dizer com isso?

Mãe - Sim, já que é nisso que se resume a inseminação, o apelido da parte do pai será um destes dois.

Filha - Oh mãe, francamente! Um filho meu irá ser sempre seu neto e basta-lhe o meu apelido.

Mãe - Filha, a sério, se quer mesmo ter um filho e encontrar uma relação está a ser difícil... Olhe, vá à rua escolha qualquer homem, mesmo que estafermo, e leve-o para a cama. Mais vale isso a um Frasquinho ou a uma Pipeta.


HISTÓRIA 2 - Entre namorados

Tenho um amigo que está em crise de meia idade, desde que chegou aos 35 e soube que a ex-mulher já se tinha orientado na vida.

Agora, quase a chegar aos 40 (que é aquela idade em que aos olhos dele deixas de conseguir fazer tudo, porque já estás a caminhar para senil) a crise tem-se intensificado. Até porque ora encontra-se sozinho, ora arranja uma relação que dura pouco mais do que 3 meses, quase sempre porque as miúdas que ele arranja ainda não têm independência financeira (rondam os 20 e poucos anos) e, assim, não conseguem acompanhar o estilo de vida dele, que lhe permite outras liberdades.

Claro está que, como qualquer homem em crise de meia idade, ele idealizou, ao nível físico, a mulher que procura para companheira e durante os últimos anos é isso que tem vindo a fazer (supostamente é um homem de relações, não consegue estar sozinho).

Esta mulher tem que ser loira, olhos claros (preferencialmente azuis), com corpo perfeito e não ter mais do que 33 anos e não consegue deixar de perseguir este registo de mulher.

Acontece que há uns 9 meses apaixonou-se e começou a namorar com uma mulher de olhos claros (mas não azuis), cabelo castanho claro (ou loiro escuro como ele gosta de afirmar), mas que não encaixa no seu ideal de mulher por dois motivos: não tem um corpo perfeito e tem mais do que 33 anos.

Na sua frontalidade moderna (ou ausência de inteligência emocional) resolveu dizer-lhe isso mesmo e, de uma forma pouco subtil, começou a controlar o que ela come.

Ela, fruto da idade e de se aceitar como é, acabou por levar esta história do ideal de mulher na brincadeira, até quando começaram as conversas sobre a possibilidade de irem morar juntos.

Nesta fase, ele entrou em conflito interno e ficou bastante hesitante. Ela ao aperceber-se disso perguntou se estariam a ir demasiado depressa. Ele disse que não, estava só meio confuso. E ela perguntou confuso em relação a quê.

Resposta dele: Confuso em relação a ti. Gosto de ti como não me recordo de gostar de alguém, fazes-me bem, temos um bom entendimento a vários níveis. Mas no meu ideal físico de mulher és um quase: quase loira, quase magra e tens quase olhos azuis. E está a ser difícil não dar importância a isso.

Está comprovado que a frontalidade contemporânea pode não escolher idades?

domingo, 15 de janeiro de 2012

Das Relações

Foto de Erik Johansson retirada daqui 
Desde que terminou a febre das festas e entrámos na "boring season" que é o mês de Janeiro, dei-me conta que as conversas que apanho do ar de completos desconhecidos e as que amigos e conhecidos vêem partilhando comigo giram em torno do mesmo tema, as relações afectivas.

De todas estas conversas, em que se esmiúçam sentimentos e se debatem pontos de vista do que deve ser e o que é estar numa relação, acabo quase sempre por chegar à mesma conclusão: Quase ninguém se sente bem no estágio em que se encontra.

E isto acontece independentemente de estarem ou não a viver uma relação. De estarem em procura activa e desesperada ou a aguardar passivamente.

As causas deste mal-estar?

Atribuo-as a algo bem simples. À total incapacidade que muitos de nós temos em estar sozinhos e de não nos sabermos bastar a nós próprios para estarmos de bem com a vida.

Há uma enorme necessidade de buscarmos validação num outro e, pelo que está culturalmente enraizado e socialmente imposto, através de uma relação teremos isso.

E pela pressão que esta 'lei' transmite, muitos de nós acabamos por entrar numa busca incessante por alguém que nos satisfaça (e que grande parte das vezes também procura satisfazer) esta vontade egoísta de não estar só.

Só que o egoísmo só tem em conta a satisfação do eu.

Por conseguinte, basear uma relação nessa premissa é permitir, a curto prazo, que a mesma deixe de ser afectiva e passe a ser conveniente. Já que, depois de passar a novidade inicial da paixão, cada um só se vai lembrando de alimentar o seu eu, seguindo exclusivamente as suas próprias vontades, e vai-se esquecendo que tem de ter tempo e dar espaço para alimentar e fazer crescer o nós. Que, só por acaso, é o pilar que dá longevidade e torna funcional uma relação a dois. Mas isso dá trabalho.

Na falta de convergência de vontades e do nós, o dia-a-dia passa a ser um permanente braço-de-ferro de imposição de vontades, em que cada um assume-se perante o outro como seu proprietário e, como tal, não vê motivos para ceder nem para abdicar de seja o que for. Este constante esgrimir desgasta psicologicamente, cansa fisicamente e maltratando a relação.

Toda esta conjugação de factores traz o mal-estar que vamos revelando em desabafos encriptados entre os amigos, já que no seio da relação assumir isso é tornar-se o elo mais fraco, aquele que não aguenta viver na ilusão do está tudo bem. 

Mas alguém que tente perguntar porque há esta insistência em viver relações nas quais não se busca a confiança, o entendimento e a partilha de afectos, mas sim a mentira, a guerrilha chantagista e a conquista de poder. As respostas vão variar entre "Ah... O que tem de mal, são turras de amor? É mesmo assim e antes isso do que ficar sozinho" e "Estava farto de estar sozinho, por isso meti-me nisso".

O que é triste, já que os de nós que acabam por seguir por este caminho vão deixando de lado os afectos e cada vez mais procuram as conveniências (quer sejam os acomodados que mantêm a relação porque dá trabalho recomeçar, quer sejam os pinga-amor que saltam de relação em relação e o que lhes interessa é alimentar a paixão fácil).

A meu ver, abandonar os afectos é virar costas a nós mesmos, é deixar de nos vermos e assim de nos conhecermos. É deixar de conseguir conviver positivamente com a única pessoa que nos vai acompanhar, com toda a certeza, ao longo da vida.

Como é que sem esta capacidade de sabermos estar sozinhos, sermos positivos e crermos em nós, teimamos em acreditar que podemos dar e receber isso de outro?

Porque por conveniência assumimos um compromisso de convivência diária, apenas e só para não estarmos sós? Sendo esta miudeza o máximo que sabemos e temos para dar, mas pretendendo que nos dêem tudo o resto que não temos nem sabemos dar.

É isso que se espera de uma relação dita moderna que me leva a estar sossegada no meu canto.

sábado, 14 de janeiro de 2012

É Só Um Pequeno Desabafo

De há uma semana para cá, ando a tentar escrever sobre um fenómeno (poderá ser mais uma coincidência) com que me tenho reparado desde o início deste ano, que ainda vai curto, e que me tem melindrado, quer por ser uma interveniente directa ou acidental.

A chatice é que não tenho tido disponibilidade mental e discernimento criativo para escrever a coisa como eu quero. Ando a roubar horas ao sono, a aproveitar alguns tempos mortos no trabalho, as viagens atribuladas de autocarro (imaginem-se a escrever sentados num veículo que anda aos solavancos devido ao mau estado das estradas para perceberem ao ponto que já vai o meu desespero), parte da minha hora de jantar e até mesmo as curtas  pausas para um cigarro.

Mas todo este meu esforço não tem servido para nada. Não consigo dar uma ordem coerente a tudo o que tenho a escrever e à ideia/opinião que quero transmitir. E deteste isso!

No que respeita à escrita, para além da ser completamente indisciplina, sou de impulsos. Se há vontade, escrevo (e se necessário fico horas a fio nisso). Se não há vontade e nada do que escrever, não escrevo. Nem sequer me lembro de pegar numa folha de papel (sim, eu sou da velha guarda que gosta de olhar para uma folha em branco e escrever até ganhar calo no dedo que apoia a caneta).

Já escrevi, reescrevi, voltei a escrever o reescrito e voltei a reescrever o escrito reescrito (complexo, eu sei) e não sai nada parecido com o que projectei mentalmente.

E se não sai à primeira, conhecendo-me como me conheço, tenho quase a certeza de como esta história vai acabar, principalmente porque sei que estou prestes a atingir aquele ponto. Sim, aquele em que pego em todas as folhas rabiscadas e atiro-as para dentro de uma gaveta à espera de um outro dia. Este outro dia é que, por norma, nunca mais vem ou se vier já é fora do tempo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Há Melhor...

Do que começar uma segunda-feira com esta obrigação?


Vou ali e já venho, mas lá para depois do pôr-do-sol.


Para primeiro post de 2012 não está nada mau :)


sábado, 31 de dezembro de 2011

Bye Bye 2011!

Em contagem decrescente para 2012...

A ver o que vou fazer dele [porque o que ele vai fazer de mim e de todos nós já foi mais do que decidido, pelos que nos (des)governam, no decorrer do ano que termina]

Para começar não está mau assim... And it goes like this:



[...] I don't give a shit [...]

[...] I don't need to try to control you
Look into my eyes and I'll own you
With the moves like Jagger
I've got the moves like Jagger
I've got the moves like Jagger [...]

Pelo sim pelo não, mais vale divertir-me um pouco hoje porque este pode ser o momento alto de despreocupação do ano.  

Aos que por aqui passam, Feliz Ano Novo!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Cumplicidade Revela-se...

Na capacidade de olhar-nos nos olhos e, antecipadamente, sabermos o que ansiamos fazer,
dizer sentir e, ainda assim, surpreender-nos com cada gesto, toque e palavra trocados. 
Já que esta antevisão não nos faz prever quando e como o vamos fazer.


Mantemo-nos neste jogo da certeza do olhar e da incerteza (despreocupada) das acções, pois este
constante reinventar é que nos faz ficar juntos e continuar a querer partilhar quem somos e o
que somos um para o outro.

E tudo isso faz parte do amor e da amizade.



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Counting The Days - Não Me Cansem A Beleza Que Ela Já É Pouca*

Tenho um colega de trabalho que desde que soube o meu destino de férias que mais não faz do que tentar boicotar o meu entusiasmo e descontracção.

Já tentou de tudo para ver se me deixa ansiosa ou preocupada. Todo o santo dia aborda-me para partilhar uma má experiência ou um preconceito vivido na primeira pessoa ou por terceiros seus conhecidos.

As formas preferidas de começar os seus monólogos (porque diálogos já deixaram de ser há muito, visto que de momento só oiço uma espécie de zumbido a sair da boca dele) são:

- Oh, Gira! Cuidado com...
- Oh, Gira! Só espero que não te aconteça...
- Oh Gira! A ver se não tens o mesmo azar do...


Após verificar a total ausência de reacção da minha parte, termina as suas histórias com:

- Sim, porque os alemães isso...
- Não, porque os alemães aquilo...
- Talvez, porque os alemães aqueloutro...


Como não há duas sem três e três foi a conta que o homem desfez, o terminar que nunca lhe falha nestes monólogos é:

- Pois, porque os alemães são racistas e xenófobos... (pausa dramática para garantir que conquista a minha atenção e gera alguma preocupação) Mas, oh Gira!, não te deves preocupar com a cor da tua pele porque és portuguesa e eles embirram mais com quem "vem de fora" (as aspas foram colocadas gestualmente por ele para deixar à minha inteligência ou ignorância espaço para interpretar da maneira que achar melhor).


As primeiras duas vezes que lhe saiu esta pérola deixei cair. Fingi que não percebi e respirei fundo em sinal de cansaço e resignação.

À terceira vez enchi o saco e não houve tempo sequer para ele terminar a sua lenga-lenga (já que nestas coisas não sou de desfazer contas, mas sim de à-primeira-caio-porque-não-sei, à-segunda-porque-não-aprendi e à-terceira-cairia-se-fosse-burra, algo que raramente sou).

Vai daí, tive que lhe dizer, calmamente (mas à bruta), que comportamentos e abordagens racistas/xenófobos, infelizmente, já os senti na pele, em Portugal, por esta Europa fora e nos países de quem "vem de fora". Sendo que aos conhecidos ou desconhecidos seus protagonistas, dada a sua ignorância (porque não vejo outra classificação possível a dar-lhes), atribui-lhes quase sempre a importância devida. Isto é, nenhuma.

Preocupações deste género com a minha cor de pele não as tenho (quer dizer, tento protegê-la do sol e do frio). Já lá vão 34 anos e uns meses de convívio diário com ela, o que é tempo mais do que suficiente para a ter como um dado adquirido, sem preconceitos e complexos (Ah! E espero continuar assim por mais uns largos pares de anos).

No caso do meu colega, que convive comigo a titulo exclusivamente profissional há coisa de 9 meses e não conhece nem metade da pessoa que sou, se o incómodo e preocupação que revela não estão relacionados com racismo (como ele fez questão de frisar depois de me ouvir despejar o saco), só me leva a concluir que ele está a torcer para que esta viagem me corra pessimamente ou que me tem como alguém que não sabe quem é.

E para ele ou para qualquer outra pessoa que se cruze na minha vida com preocupações da treta desta natureza, só tenho uma coisa mais a acrescentar: Se não conseguem ver-me para além deste detalhe larguem-me de mão e sigam as vossas vidas, preferencialmente longe de mim.

Eu sei perfeitamente quem sou e de onde venho, como também sei que aos olhos de pretos, brancos amarelos ou verdes apresento-me como um desafio ao nível da rotulagem padrão que cada um tem. E, felizmente, convivo com amigos e conhecidos que, tal como eu, tiveram a sorte de ter pais e familiares que lhes incutiram valores e lhes passaram uma educação suficientemente positivos para verem e estarem comigo e com os outros por aquilo que eles são e não por um pormenor físico, racial ou material.

Posto isto, vou fazer as malas porque agora é que o meu entusiasmo está ao rubro.


Está quase, quase, quase…


*Nem me tomem por estúpida que só o sou quando quero

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Gone In 60 Seconds*


* Ou Dicas de como levar a boca a 10.000 Euros e uns trocos em 3 horas de prazer**

Conheçam uma tipa numa saída à noite;

Troquem uns melos e uns amassos;

Oiçam-na queixar-se que o cartão multibanco dela não funciona (logo agora que tem umas contas para pagar);

Emprestem-lhe 400 Euros para poderem voltar aos melos e amassos (que é o que realmente interessa);

Se os 400 Euros não são suficientes, façam-lhe uma transferência bancária;

Como não percebem nada disso (só de melos e amassos), passem-lhe o vosso cartão e código para as mãos para ser mais rápido (claro está que àquela hora o multibanco não funciona, por isso, depois de duas tentativas, deixem para mais tarde);

Voltem aos melos e amassos (há que recuperar o clima tropical que o calor dos corpos criou e recuperar os minutos perdidos com as interrupções insignificantes);

Agora que voltaram a aquecer, passem o cartão novamente para as mãos da menina para nova tentativa de transferência (o código já não é preciso porque ela já o sabe);

Como é óbvio, esta tentativa também não resulta (‘malditos caixas!’, diz a menina);

Nova oportunidade para uns melos e uns amassos cada vez mais arrojados (vocês em pensamento vão dizendo, ‘benditos, benditos caixas! Isto hoje vai ser só facturar!’);

Depois de terem ido à lua e voltado umas duas vezes (no mínimo) voltam satisfeitos ao multibanco e é desta que a transferência resulta (despedem-se com promessas de ligarem no dia seguinte para mais uma noite fantástica e segue cada um para a sua vida);

No dia seguinte, vão ao multibanco ver o saldo da vossa conta, incrédulos façam uma consulta de movimentos (nesta fase não se esqueçam de gritar ‘Quatro!?!? Quatro?!?!’);

Liguem para o vosso banco para confirmar que houve erro do multibanco porque só fizeram uma transferência (vão repetindo em voz alta que não podem ser quatro de 2.500 Euros, só pode ser uma);

Entre o desligar e o não desligar da chamada lamentem-se ‘Não pode ser. Eu acredito nela. Ela não fez isso. Foi só emprestado. Ela disse que me pagava assim que tivesse o novo cartão multibanco. Ela é minha namorada. Quer dizer, pelo menos nessa noite foi.’;

Quando já não tiverem nada a dizer para vos consolar vão à vossa vida e em pensamento vão dizendo ‘malditos caixas!’;

Por seu lado quando a menina vai ao multibanco fica radiante e diz ‘benditos caixas! Isto ontem foi só facturar!'


** Se não tiverem tanto tempo nem dinheiro para dispensar ao levar a boca, podem sempre trocar três dedos de conversa com um estranho que vos aborde na rua e que se apresente como amigo do vosso genro, passar-lhe uns 120 Euros para a mão e chegarem a casa com um envelope cheio de material muito importante, mas que afinal são folhas em branco.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Brincadeiras Parvas

No burgo onde labuto, há um grupo de colegas que quando não tem nada para fazer "diverte-se" a criar anúncios para adultos e a publicá-los em sites de classificados.

Claro está que, para a brincadeira ter mais "graça", disponibilizam para contacto os números de telemóvel uns dos outros.

Por isso, a ver se me lembro que não convém, NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, dar-lhes os meus contactos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Essencialmente, É Isto



Há uns dias descobri que os meus amigos andam preocupados comigo. Sentem-me ausente e distante quando estou com eles e, pior que tudo, não me vêem a gastar dinheiro a comprar as coisas que, normalmente, gosto*.

Sei que ando um bocadinho a leste do paraíso e com falta de vontade de me mexer, mas atribuo-o ao cansaço e à falta de paciência que de momento me invade**. Para além disso, de momento, o grupo de amigos com o qual mais me dou anda a passar por uma dinâmica meio tóxica.

Andam todos, de uma maneira ou de outra, frustrados com o rumo que áreas distintas das suas vidas andam (ou não andam) a seguir. Depois quando nos juntamos, em vez de tentarem pôr, minimamente, de lado estas frustrações, não. Trazem-nas para os nossos convívios e isso leva a que passem a maior parte do tempo a degladiarem uns com os outros quem é que está mais down e a precisar de atenção.

Claro está, que em vez de ter um par de horas descontraídas e bem passadas, em que se debatem parvoíces e assuntos mais sérios, vejo-me num campo de batalha em que todos falam mas ninguém se ouve. Já que assumem comportamentos que roçam a falta de respeito mútuo, o egoísmo, a birra e o amuo infantis***.

Assim, a pouca vontade que arranjo para estar com eles acaba por desaparecer no momento em que começam as trocas de galhardetes de "Eu estou pior do que tu", "És sempre a mesma coisa." e "Temos que fazer isto assim ou assado, senão não faço". Ao vê-los em picardias imbecis que magoam, a quererem só fazer as coisas à sua maneira e a quererem ter razão por tudo e por nada, deixa-me triste. Por isso, para não me intoxicar com estas más energias, acabo por me recolher no meu canto e deixá-los na sua conversa de surdos. E vou dizendo, sem nenhum deles me conseguir ouvir, claro!, que não percebo porque insistem em marcar encontros em grupo, já que só querem fazer as coisas à maneira deles e andar constantemente de costas voltas.

Depois alguns deles estranham quando eu digo que ando a precisar de conhecer gente nova que me faça voltar ao básico (isto é, com a qual não haja qualquer necessidade de partilha de bagagens e lixos tóxico-emocionais)****, porque esta nossa família disfuncional anda a dar comigo em louca.



* Está visto que sempre fui uma consumista fervorosa e nunca me tinha dado conta
** Ainda não tive direito a gozar nem um  dia de férias. Mas já faltou mais para isso
*** Ao ponto de se esquecerem que as respostas a um convite são um simples "Sim, obrigada." 
ou "Não, obrigada", não o "Não podia ser uma coisa/sitio melhor?", "A escolha é péssima.", "Programinha chatoooo!!!"
**** Muito sinceramente, acho que, a eles, isso também iria fazer bem, para voltarem a ter os pés mais assentes na terra e deixarem de andar às voltas dos seus umbigos


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Li Por Aí...


(Diz o gato ao cão)

Não há humano que admita que está apaixonado.
Preferem fazer de conta que está tudo bem e que não há problema nenhum.
Já te expliquei isso uma vez, o outro nunca deve saber como o amamos.
Isso é uma regra não expressa, mas que todos respeitam. Senão estás tramado.*


Franke Scheunemann, Cão Procura Príncipe Encantado Para Dona Espectacular



* Aceito que, inicialmente, haja alguma reserva, e até mesmo receio, em mostrar o que se sente. Mas se passarmos a vida toda a esconder os sentimentos que temos pelos outros como poderemos viver uma relação verdadeiramente?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Conversa Entre Amigos Em Noite de Copos


Amigo - Sabes? Estou a precisar de umas noites de sexo puro.

Eu - Percebo-te. Às vezes também acho que preciso disso.

Amigo - Tudo sem compromisso. Meia dúzia ou dúzia e meia de cambalhotas e, depois, amigos amigos, gostei muito deste bocadinho...

Eu - Principalmente porque foi curto.

(Gargalhada geral)

Amigo - Hoje ao jantar estive quase a propor à N uma cambalhota destas.

Eu - E não fizeste porquê?

Amigo - Pois não sei. Ao fim de 3 copos de vinho pensei: 'devo estar a alucinar com o álcool'.

Eu - Toldados pelo álcool estas propostas fazem e deixam de fazer sentido no mesmo instante. (sorri-lhe)

Amigo - hum, hum...

Eu - Mas se ainda estás a pensar nisso devias ir propor-lhe isso.

Amigo - Eh pá! De momento estou com preguiça de me levantar. O álcool já começa a pesar.

Eu - Ok. Eu sei perfeitamente que enquanto não deitar este copo abaixo e não tiver sede de outro não me levanto daqui, mesmo já sentido o cú completamente quadrado. A noite está óptima e o álcool está a correr livremente pelo sangue. É só curtir!

Amigo - Wiiiiiiiiiiiiiiii! Estamos bem, nós.

Eu - Sim, estamos. É isso que se quer de uma noite entre amigos.

(E desmanchamo-nos a rir)

Amigo - Sim. Agora voltando à conversa e tu?

Eu - Eu o quê?

Amigo - Não estás a precisar de umas cambalhotas?

Eu - Se calhar estou, mas assim que tenho este pensamento, vem logo outro a seguir: estou mas é a precisar de uma coisa mais na onda do afecto adolescente que, para além de, alimentar sensações também alimente sentimentos.

Amigo - Pois...

Eu - Mas mais do que isso, preciso de conhecer pessoas novas, de estimular a descoberta e de uma noite salseira para matar as saudades de dançar.

Amigo - Nisso não te posso ajudar. Não tenho ninguém, de momento, que te possa apresentar e salsa, já sabes, não é a minha onda.

Eu - Ya.Tenho que ser eu a socializar.

Amigo - Sim. Agora vou ver se me levanto que tenho que ir à casinha.

Eu - Boa sorte!

Amigo - Precisas de um refill?

Eu - Ainda vou a meio, pá!

Amigo - Ok! Volto já.

O amigo voltou, assim como esta e outras conversas. O spot ao meu lado esteve bastante concorrido e eu, entre um gole de bebida e uma baforada nos cigarros que ia cravando, fui alimentando conversas pela noite fora (ora a dois, ora a três, ora a quatro. Quer amigos quer desconhecidos).

domingo, 4 de setembro de 2011

Pequenas Confissões




1- Todas as noites quando vou dormir dou a mim mesma um beijo de boa noite e desejo-me uma noite feliz.

2- Quando passo um bom momento com alguém, ao despedir-me, agradeço com um "Gostei muito deste bocadinho... Principalmente porque fui curto."