sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Cumplicidade Revela-se...

Na capacidade de olhar-nos nos olhos e, antecipadamente, sabermos o que ansiamos fazer,
dizer sentir e, ainda assim, surpreender-nos com cada gesto, toque e palavra trocados. 
Já que esta antevisão não nos faz prever quando e como o vamos fazer.


Mantemo-nos neste jogo da certeza do olhar e da incerteza (despreocupada) das acções, pois este
constante reinventar é que nos faz ficar juntos e continuar a querer partilhar quem somos e o
que somos um para o outro.

E tudo isso faz parte do amor e da amizade.



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Counting The Days - Não Me Cansem A Beleza Que Ela Já É Pouca*

Tenho um colega de trabalho que desde que soube o meu destino de férias que mais não faz do que tentar boicotar o meu entusiasmo e descontracção.

Já tentou de tudo para ver se me deixa ansiosa ou preocupada. Todo o santo dia aborda-me para partilhar uma má experiência ou um preconceito vivido na primeira pessoa ou por terceiros seus conhecidos.

As formas preferidas de começar os seus monólogos (porque diálogos já deixaram de ser há muito, visto que de momento só oiço uma espécie de zumbido a sair da boca dele) são:

- Oh, Gira! Cuidado com...
- Oh, Gira! Só espero que não te aconteça...
- Oh Gira! A ver se não tens o mesmo azar do...


Após verificar a total ausência de reacção da minha parte, termina as suas histórias com:

- Sim, porque os alemães isso...
- Não, porque os alemães aquilo...
- Talvez, porque os alemães aqueloutro...


Como não há duas sem três e três foi a conta que o homem desfez, o terminar que nunca lhe falha nestes monólogos é:

- Pois, porque os alemães são racistas e xenófobos... (pausa dramática para garantir que conquista a minha atenção e gera alguma preocupação) Mas, oh Gira!, não te deves preocupar com a cor da tua pele porque és portuguesa e eles embirram mais com quem "vem de fora" (as aspas foram colocadas gestualmente por ele para deixar à minha inteligência ou ignorância espaço para interpretar da maneira que achar melhor).


As primeiras duas vezes que lhe saiu esta pérola deixei cair. Fingi que não percebi e respirei fundo em sinal de cansaço e resignação.

À terceira vez enchi o saco e não houve tempo sequer para ele terminar a sua lenga-lenga (já que nestas coisas não sou de desfazer contas, mas sim de à-primeira-caio-porque-não-sei, à-segunda-porque-não-aprendi e à-terceira-cairia-se-fosse-burra, algo que raramente sou).

Vai daí, tive que lhe dizer, calmamente (mas à bruta), que comportamentos e abordagens racistas/xenófobos, infelizmente, já os senti na pele, em Portugal, por esta Europa fora e nos países de quem "vem de fora". Sendo que aos conhecidos ou desconhecidos seus protagonistas, dada a sua ignorância (porque não vejo outra classificação possível a dar-lhes), atribui-lhes quase sempre a importância devida. Isto é, nenhuma.

Preocupações deste género com a minha cor de pele não as tenho (quer dizer, tento protegê-la do sol e do frio). Já lá vão 34 anos e uns meses de convívio diário com ela, o que é tempo mais do que suficiente para a ter como um dado adquirido, sem preconceitos e complexos (Ah! E espero continuar assim por mais uns largos pares de anos).

No caso do meu colega, que convive comigo a titulo exclusivamente profissional há coisa de 9 meses e não conhece nem metade da pessoa que sou, se o incómodo e preocupação que revela não estão relacionados com racismo (como ele fez questão de frisar depois de me ouvir despejar o saco), só me leva a concluir que ele está a torcer para que esta viagem me corra pessimamente ou que me tem como alguém que não sabe quem é.

E para ele ou para qualquer outra pessoa que se cruze na minha vida com preocupações da treta desta natureza, só tenho uma coisa mais a acrescentar: Se não conseguem ver-me para além deste detalhe larguem-me de mão e sigam as vossas vidas, preferencialmente longe de mim.

Eu sei perfeitamente quem sou e de onde venho, como também sei que aos olhos de pretos, brancos amarelos ou verdes apresento-me como um desafio ao nível da rotulagem padrão que cada um tem. E, felizmente, convivo com amigos e conhecidos que, tal como eu, tiveram a sorte de ter pais e familiares que lhes incutiram valores e lhes passaram uma educação suficientemente positivos para verem e estarem comigo e com os outros por aquilo que eles são e não por um pormenor físico, racial ou material.

Posto isto, vou fazer as malas porque agora é que o meu entusiasmo está ao rubro.


Está quase, quase, quase…


*Nem me tomem por estúpida que só o sou quando quero

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Gone In 60 Seconds*


* Ou Dicas de como levar a boca a 10.000 Euros e uns trocos em 3 horas de prazer**

Conheçam uma tipa numa saída à noite;

Troquem uns melos e uns amassos;

Oiçam-na queixar-se que o cartão multibanco dela não funciona (logo agora que tem umas contas para pagar);

Emprestem-lhe 400 Euros para poderem voltar aos melos e amassos (que é o que realmente interessa);

Se os 400 Euros não são suficientes, façam-lhe uma transferência bancária;

Como não percebem nada disso (só de melos e amassos), passem-lhe o vosso cartão e código para as mãos para ser mais rápido (claro está que àquela hora o multibanco não funciona, por isso, depois de duas tentativas, deixem para mais tarde);

Voltem aos melos e amassos (há que recuperar o clima tropical que o calor dos corpos criou e recuperar os minutos perdidos com as interrupções insignificantes);

Agora que voltaram a aquecer, passem o cartão novamente para as mãos da menina para nova tentativa de transferência (o código já não é preciso porque ela já o sabe);

Como é óbvio, esta tentativa também não resulta (‘malditos caixas!’, diz a menina);

Nova oportunidade para uns melos e uns amassos cada vez mais arrojados (vocês em pensamento vão dizendo, ‘benditos, benditos caixas! Isto hoje vai ser só facturar!’);

Depois de terem ido à lua e voltado umas duas vezes (no mínimo) voltam satisfeitos ao multibanco e é desta que a transferência resulta (despedem-se com promessas de ligarem no dia seguinte para mais uma noite fantástica e segue cada um para a sua vida);

No dia seguinte, vão ao multibanco ver o saldo da vossa conta, incrédulos façam uma consulta de movimentos (nesta fase não se esqueçam de gritar ‘Quatro!?!? Quatro?!?!’);

Liguem para o vosso banco para confirmar que houve erro do multibanco porque só fizeram uma transferência (vão repetindo em voz alta que não podem ser quatro de 2.500 Euros, só pode ser uma);

Entre o desligar e o não desligar da chamada lamentem-se ‘Não pode ser. Eu acredito nela. Ela não fez isso. Foi só emprestado. Ela disse que me pagava assim que tivesse o novo cartão multibanco. Ela é minha namorada. Quer dizer, pelo menos nessa noite foi.’;

Quando já não tiverem nada a dizer para vos consolar vão à vossa vida e em pensamento vão dizendo ‘malditos caixas!’;

Por seu lado quando a menina vai ao multibanco fica radiante e diz ‘benditos caixas! Isto ontem foi só facturar!'


** Se não tiverem tanto tempo nem dinheiro para dispensar ao levar a boca, podem sempre trocar três dedos de conversa com um estranho que vos aborde na rua e que se apresente como amigo do vosso genro, passar-lhe uns 120 Euros para a mão e chegarem a casa com um envelope cheio de material muito importante, mas que afinal são folhas em branco.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Brincadeiras Parvas

No burgo onde labuto, há um grupo de colegas que quando não tem nada para fazer "diverte-se" a criar anúncios para adultos e a publicá-los em sites de classificados.

Claro está que, para a brincadeira ter mais "graça", disponibilizam para contacto os números de telemóvel uns dos outros.

Por isso, a ver se me lembro que não convém, NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, dar-lhes os meus contactos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Essencialmente, É Isto



Há uns dias descobri que os meus amigos andam preocupados comigo. Sentem-me ausente e distante quando estou com eles e, pior que tudo, não me vêem a gastar dinheiro a comprar as coisas que, normalmente, gosto*.

Sei que ando um bocadinho a leste do paraíso e com falta de vontade de me mexer, mas atribuo-o ao cansaço e à falta de paciência que de momento me invade**. Para além disso, de momento, o grupo de amigos com o qual mais me dou anda a passar por uma dinâmica meio tóxica.

Andam todos, de uma maneira ou de outra, frustrados com o rumo que áreas distintas das suas vidas andam (ou não andam) a seguir. Depois quando nos juntamos, em vez de tentarem pôr, minimamente, de lado estas frustrações, não. Trazem-nas para os nossos convívios e isso leva a que passem a maior parte do tempo a degladiarem uns com os outros quem é que está mais down e a precisar de atenção.

Claro está, que em vez de ter um par de horas descontraídas e bem passadas, em que se debatem parvoíces e assuntos mais sérios, vejo-me num campo de batalha em que todos falam mas ninguém se ouve. Já que assumem comportamentos que roçam a falta de respeito mútuo, o egoísmo, a birra e o amuo infantis***.

Assim, a pouca vontade que arranjo para estar com eles acaba por desaparecer no momento em que começam as trocas de galhardetes de "Eu estou pior do que tu", "És sempre a mesma coisa." e "Temos que fazer isto assim ou assado, senão não faço". Ao vê-los em picardias imbecis que magoam, a quererem só fazer as coisas à sua maneira e a quererem ter razão por tudo e por nada, deixa-me triste. Por isso, para não me intoxicar com estas más energias, acabo por me recolher no meu canto e deixá-los na sua conversa de surdos. E vou dizendo, sem nenhum deles me conseguir ouvir, claro!, que não percebo porque insistem em marcar encontros em grupo, já que só querem fazer as coisas à maneira deles e andar constantemente de costas voltas.

Depois alguns deles estranham quando eu digo que ando a precisar de conhecer gente nova que me faça voltar ao básico (isto é, com a qual não haja qualquer necessidade de partilha de bagagens e lixos tóxico-emocionais)****, porque esta nossa família disfuncional anda a dar comigo em louca.



* Está visto que sempre fui uma consumista fervorosa e nunca me tinha dado conta
** Ainda não tive direito a gozar nem um  dia de férias. Mas já faltou mais para isso
*** Ao ponto de se esquecerem que as respostas a um convite são um simples "Sim, obrigada." 
ou "Não, obrigada", não o "Não podia ser uma coisa/sitio melhor?", "A escolha é péssima.", "Programinha chatoooo!!!"
**** Muito sinceramente, acho que, a eles, isso também iria fazer bem, para voltarem a ter os pés mais assentes na terra e deixarem de andar às voltas dos seus umbigos


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Li Por Aí...


(Diz o gato ao cão)

Não há humano que admita que está apaixonado.
Preferem fazer de conta que está tudo bem e que não há problema nenhum.
Já te expliquei isso uma vez, o outro nunca deve saber como o amamos.
Isso é uma regra não expressa, mas que todos respeitam. Senão estás tramado.*


Franke Scheunemann, Cão Procura Príncipe Encantado Para Dona Espectacular



* Aceito que, inicialmente, haja alguma reserva, e até mesmo receio, em mostrar o que se sente. Mas se passarmos a vida toda a esconder os sentimentos que temos pelos outros como poderemos viver uma relação verdadeiramente?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Conversa Entre Amigos Em Noite de Copos


Amigo - Sabes? Estou a precisar de umas noites de sexo puro.

Eu - Percebo-te. Às vezes também acho que preciso disso.

Amigo - Tudo sem compromisso. Meia dúzia ou dúzia e meia de cambalhotas e, depois, amigos amigos, gostei muito deste bocadinho...

Eu - Principalmente porque foi curto.

(Gargalhada geral)

Amigo - Hoje ao jantar estive quase a propor à N uma cambalhota destas.

Eu - E não fizeste porquê?

Amigo - Pois não sei. Ao fim de 3 copos de vinho pensei: 'devo estar a alucinar com o álcool'.

Eu - Toldados pelo álcool estas propostas fazem e deixam de fazer sentido no mesmo instante. (sorri-lhe)

Amigo - hum, hum...

Eu - Mas se ainda estás a pensar nisso devias ir propor-lhe isso.

Amigo - Eh pá! De momento estou com preguiça de me levantar. O álcool já começa a pesar.

Eu - Ok. Eu sei perfeitamente que enquanto não deitar este copo abaixo e não tiver sede de outro não me levanto daqui, mesmo já sentido o cú completamente quadrado. A noite está óptima e o álcool está a correr livremente pelo sangue. É só curtir!

Amigo - Wiiiiiiiiiiiiiiii! Estamos bem, nós.

Eu - Sim, estamos. É isso que se quer de uma noite entre amigos.

(E desmanchamo-nos a rir)

Amigo - Sim. Agora voltando à conversa e tu?

Eu - Eu o quê?

Amigo - Não estás a precisar de umas cambalhotas?

Eu - Se calhar estou, mas assim que tenho este pensamento, vem logo outro a seguir: estou mas é a precisar de uma coisa mais na onda do afecto adolescente que, para além de, alimentar sensações também alimente sentimentos.

Amigo - Pois...

Eu - Mas mais do que isso, preciso de conhecer pessoas novas, de estimular a descoberta e de uma noite salseira para matar as saudades de dançar.

Amigo - Nisso não te posso ajudar. Não tenho ninguém, de momento, que te possa apresentar e salsa, já sabes, não é a minha onda.

Eu - Ya.Tenho que ser eu a socializar.

Amigo - Sim. Agora vou ver se me levanto que tenho que ir à casinha.

Eu - Boa sorte!

Amigo - Precisas de um refill?

Eu - Ainda vou a meio, pá!

Amigo - Ok! Volto já.

O amigo voltou, assim como esta e outras conversas. O spot ao meu lado esteve bastante concorrido e eu, entre um gole de bebida e uma baforada nos cigarros que ia cravando, fui alimentando conversas pela noite fora (ora a dois, ora a três, ora a quatro. Quer amigos quer desconhecidos).

domingo, 4 de setembro de 2011

Pequenas Confissões




1- Todas as noites quando vou dormir dou a mim mesma um beijo de boa noite e desejo-me uma noite feliz.

2- Quando passo um bom momento com alguém, ao despedir-me, agradeço com um "Gostei muito deste bocadinho... Principalmente porque fui curto."


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Nunca Mais É Sábado?


Ansiosa para ver como ela vai ser ao vivo.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

34

O que mudou de ontem para hoje?


O calendário indica que estou um ano mais velha.
E eu insisto em me apresentar no meu melhor para o receber.
Este ano e mais todos os outros que ainda estão para vir.



Penso que não é pedir muito.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Expresso Dos Agarrados

É o nome de baptismo que dei ao autocarro da Carris que apanho todos os dias para ir e voltar do trabalho.

Isso porque muitas das pessoas que nele circulam são toxicodependentes de última linha que estão a caminho ou no regresso do 'Mercado Abastecedor' que mostra quão baixo pode chegar a condição humana.

Não me choca que andem por aí aos caídos a consumir (foi a opção de vida que fizeram). Choca-me, sim, o empenho que usam nesta destruição e ver como é que mesmo nesta miséria de vida há quem 'goze' com outros que estão no mesmo ou, no máximo dos máximos, meio degrau abaixo da sua condição.


No 'Mercado Abastecedor' tudo serve para fazer negócio e conseguir ganhar uns trocos (que nem sempre são dinheiro) para a próxima dose de qualidade para lá de duvidosa, já que deve estar a passar, no mínimo, pela décima mão e estar bem traçada.

O que vejo e oiço é deplorável.

No 'Mercado Abastecedor', quando o autocarro pára, vejo-os degladiarem-se pelo best-spot onde conseguem ver quem chega e ficar com mais negócio, assim como, avistar a Bófia quando ela ainda vem longe; Vejo-os regatearem preços do rolo de alumínio necessário para preparar o 'caldo', o qual guardam debaixo do braço com mais empenho do que aquele que dedicam à própria vida.

Na viagem de autocarro que partilhamos, oiço-os em calorosas discussões moralistas sobre a qualidade duvidosa das doses que X e Y vendem, as quais, ao que parece, não deviam sequer ser usadas para desentupir canos; oiço-os vangloriarem-se dos anos que têm 'investidos' nesta 'amiga' que lhes vai ceifando os modos, a inteligência, a liberdade e a vida sempre sem darem conta.

Todos os dias nesta viagem, o mesmo pensamento invade o meu espírito: O corpo humano, de facto, é fascinante. E é de tal modo combativo que vai mostrando, diariamente, ao idiota pensante (e daí talvez não) que o maltrata com excessiva violência destrutiva, o ponto de degradação a que o conseguem levar: Muito mais baixo e fundo do que o idiota julgou ser o seu limite.

Pena mesmo, é esta resistência humana ser usada para a destruição. Acho que se houvesse tamanho empenho na construção teríamos uma vida muito mais positiva e geradora de uma melhor herança para os que hão-de vir.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Do Dia Para A Noite

Quando o dia cede o seu lugar à noite, num instante em que parece que o tempo abranda ao ponto de quase não dar pela sua passagem, aprecio a paisagem.


E ao mesmo tempo que sinto o cansaço acumulado do trabalho a cair sobre o meu corpo, as preocupações que nele jaziam libertam-se. Já que neste preciso instante há a certeza de que o dia que se segue será melhor*.



*Nem que seja por saber que é um dia de descanso :)


domingo, 3 de julho de 2011

Andei Eu A Pensar Se...



... seria uma boa, mais logo, subir a rua e voltar a ver este senhor ao vivo, passados que estão 11 anos desde o último concerto que assisti (na extinta Praça Sony)


Quando descubro que afinal ele não vem devido a problemas de saúde. É uma pena...